O tempo está no centro das discussões contemporâneas e das preocupações de todos nós. Vivemos uma transformação de nossa percepção do tempo, no sentido inequívoco de sua aceleração. Simultaneamente, emergem estilos de vida e visões de mundo que pretendem contrapor-se a ela, construindo-se sobre ideias como lentidão e desaceleração. Temos, aí, pares de opostos complementares – que chamaremos de territórios fast e slow – que se sobrepõem e combinam-se de diferentes formas, na sociedade e no consumo atuais.

Nossa cultura é a da pressa, da penúria de tempo, do produtivismo, dos timings acelerados e do multitasking. Por outro lado, há uma nova relação com o tempo desacelerado que começa, senão a se tornar realidade, ao menos a ser cada vez mais desejada socialmente. O impacto desse desejo se faz sentir em estratégias de produtos, serviços e marcas mais atentos aos novos comportamentos de consumo. As estratégias de obsolescência são crescentemente postas em cheque pelo consumidor, o que leva ao questionamento de uma das principais formas de inovação do último século. No âmago dessa relação entre tempo e consumo, a moda sempre se sentiu absolutamente à vontade, mas as disfunções temporais de hoje são tão profundas que até mesmo essa habilidade da moda em manipular os timings está em questão. Para o pesquisador de tendências, o cenário de fundo torna-se ainda mais complexo, pois são as próprias noções de passado, presente e futuro que estão em reconstrução: como trabalhar com o conceito de tendência, que carrega em si as ideias de futuro, previsibilidade e antecipação?

E há muitas outras perguntas urgentes: A fast fashion, atual modelo dominante, vai se perenizar ou, ao contrário, tende a declinar? Quando o Zeitgeist tende à sustentabilidade, o que acontece com a aceleração do consumo, da moda e de esferas correlatas, como o design, a cosmética e o luxo? Simplesmente, desaceleram? Na nova economia do tempo e das velocidades, os preceitos da “abordagem lenta” vencerão? Que tipo de relação tendem a estabelecer essas duas forças opostas, o fast e o slow? E para o consumo como um todo, o que se vislumbra? É o caso de falar de uma sociedade pós-consumista? Quais os discursos mais adequados para comunicar com o consumidor dos novos regimes temporais? Quais as oportunidades de mercado?

O objetivo do curso Fast + Slow é apresentar um amplo diagnóstico sobre esses temas e entregar propostas, direções e ideias sobre como incorporar concretamente tais conceitos em produtos, serviços, estratégias de varejo e de comunicação de marca. Recorrendo mais uma vez ao fio condutor do programa, ainda está em tempo de se atualizar e não ficar para trás… (D. Caldas)

Informações e inscrições aqui.


“Fast+Slow: Novos Timings e Regras para a Moda, o Consumo e as Tendências” é o curso inédito que dá continuidade ao Training Program em Tendências 2013. Com recorte original, o programa parte de uma análise das profundas mudanças de nossa relação com o tempo para entregar novos modos e estratégias de gestão dos timings – questão clássica, em matéria de tendências e fenômenos de moda – que estão apontando direções inovadoras para o mercado e seduzindo o consumidor contemporâneo.

As experiências do tempo – tempo subjetivo, tempo do cotidiano, tempo do consumo e tempo social – têm sido objeto recorrente de estudos recém-publicados, seminários internacionais, manifestações artísticas, inovações tecnológicas e novas formas de consumir. O pano de fundo dessa questão é o embate entre duas sensibilidades – aceleração (“fast”) e desaceleração (“slow”). Porém, soluções simplistas – do tipo “a vida está cada vez mais corrida e tecnológica, então basta oferecer às pessoas um cenário de simplicidade e sustentabilidade” – não respondem mais às demandas e aos desejos do consumidor real. Defendemos que é preciso entender melhor quais são as forças em jogo, quais as resultantes, os prognósticos e as tendências, para que os agentes de mercado possam calibrar melhor a oferta de produtos, serviços, experiências e discursos ao consumidor.

O curso tem a abordagem multissetorial e a pegada teoria + prática característica do TP ODES, com análise de muitos cases referenciais, e vai interessar aos profissionais que necessitam de uma visão ampla e estratégica sobre o mercado atual, bem como àqueles que desejam atualizar seus conhecimentos sobre tendências. 12 e 13 de julho, no Espaço ODES. Mais sobre o programa e inscrições aqui.


Foi esse o mote que a revista Gloss (abril/2013), dirigida ao público teen feminino, propôs a seus entrevistados, entre eles o sociólogo Dario Caldas. A matéria, assinada por Sasha Yakoleva, pode parecer tendenciosa pelo título escolhido – “Manual do banana” – mas tenta, de fato, mostrar os dois lados da questão, ao perguntar, acertadamente, se “são os caras que andam muito sem atitude ou é a gente que não sabe o que quer deles” – opinião compartilhada por Caldas, que enfatizou, em sua fala à jornalista, que pode estar havendo, atualmente, um excesso de demandas aos homens por atitudes pré-determinadas pelas mulheres, cujo resultado só poderia ser um curto-circuito das expectativas (dos dois lado, aliás).


O sociólogo Dario Caldas falou à Revista da TV do jornal O Globo (domingo, 24/03), que deu matéria de capa, “Limite da Realidade”, mais uma vez sobre os reality shows, tema sobre o qual o Observatório de Sinais desenvolveu um estudo aprofundado. Desta vez, a matéria, assinada por Natalia Castro, aborda a estreia de “Honey Boo Boo” na TV paga brasileira e outros programas do mesmo gênero.


Não é só a primeira vez que o ODES oferece esse curso: trata-se de um curso inédito no Brasil, confirmando o nosso pioneirismo no campo das tendências. O programa, com pegada conceitual, se baseia numa revisão forte de textos incontornáveis para dominar a área, mas sempre com o olhar sobre o atual e o estratégico, para aplicação ao universo do
consumo. A identidade visual do curso é essa aí, na mesma vertente bauhausiana do branding para “Metodologia”. Ainda dá tempo de se inscrever. (http://goo.gl/DzkKj)


Desde suas origens, a sociologia busca um olhar que transcenda os próprios fenômenos que analisa, identificando estruturas ou formas de funcionamento, com o objetivo de criticar, desvendar, explicar, compreender, transformar. Muitas vezes, trata-se de buscar o entendimento do óbvio – o que pode parecer trivial, mas está cada vez mais longe de sê-lo, nesses tempos de complexidade crescente.

Uma sociologia das tendências começa, portanto, com a definição de seu próprio objeto de estudo. Tendências têm forma de funcionamento similar, mas há uma grande diversidade de tipos, que demandam tratamentos diferenciados também. Um dos maiores problemas atuais das abordagens sobre as tendências é essa confusão que o “tudo é tendência” trouxe. Não dá para colocar cupcakes e “indignados”, retromania e novas famílias no mesmo balaio, embora, em princípio, todos esses assuntos sejam pertinentes a uma sociologia das tendências (a bem da verdade, devo dizer que há divergências sobre isso, o que só engrossa o caldo da minha argumentação, uma vez que esses pontos de vista divergentes são um prato cheio… para a própria sociologia das tendências!). Sobretudo, não é possível submeter todos esses fenômenos a um idêntico instrumental teórico e prático, sob o risco de não se captar aquilo que mais interessa, isto é, as especificidades de cada um, de cada tipo de tendência. De pouco adianta, igualmente, ser ótimo em detecção, mas não saber se os sinais detectados referem-se a algo que ainda vai emergir ou que já está aí, difuso no caldo sociocultural – e diga-se, esse não é dos dilemas menores entre os “tendenceiros”.

De outro lado, é pertinente fazer uma história das diversas abordagens sobre as tendências, desde os primeiros estudos publicados sobre os fenômenos de moda, ainda no século XIX, até os autores contemporâneos. É possível e útil identificar “escolas”, no sentido de grandes orientações que reagrupam essas abordagens ou autores. Isso possibilitaria comparar diferentes pressupostos analíticos e entender o que eles trouxeram ou trazem como contribuição ao campo, quais suas forças, quais as críticas cabíveis e que devem ser feitas.

É inegável que o campo profissional das tendências se autonomizou, e, por isso, necessita de ferramentas de avaliação de sua própria eficácia. Por definição, fazer uma sociologia das tendências (criticar, desvendar etc.), deve ajudar a estabelecer parâmetros mais objetivos para essa atividade profissional em expansão.

Um último argumento me faz pensar que não basta mais acompanhar a evolução das tendências em si mesmas, uma vez que o ambiente geral de mudanças aceleradas deve afetar em alguma medida a própria substância das tendências – e isto é uma hipótese – ou, pelo menos, alguns de seus aspectos definidores essenciais. Penso, mais especificamente, na mudança da nossa relação atual com o tempo, que está alterando profundamente os timings dos fenômenos de difusão. Por esse ângulo, uma sociologia das tendências permitiria fazer uma espécie de meta-tendências, ajudando na identificação de estruturas menos visíveis e mais estratégicas.

É claro que isso tudo pode soar academicista demais. Porém, cabe lembrar, é desse maná teórico-conceitual que vem toda a matéria-prima para qualquer abordagem concreta e frutífera de tendências, sobretudo comercialmente falando. Hoje, quando (quase) tudo é colagem e mashup, é mais que necessário reafirmar o valor estratégico de dar nome e sentido aos fios emaranhados. (D. Caldas)

Saiba mais sobre o curso Sociologia e História das Tendências.


Confirmadíssimo! A turma extra do curso “Metodologia de Pesquisa e Análise de Tendências” rola na semana que vem, dias 1 e 2 de março, sexta e sábado. Mais um grupo “multi-culti” se junta para discutir (muito!) e reavaliar modos de pensar e abordar as tendências de forma prática. As últimas vagas ainda estão disponíveis – corre que dá tempo!


“A obsessão por segurança, um fenômeno global, encontra sua expressão mais eloquente nas cidades brasileiras, que abrigam gente cada vez mais isolada – e insegura. Na contramão, há quem ache que a solução está nos movimentos que tentam reocupar a cidade” – essa é a ideia de fundo do especial sobre segurança da revista Trip. A matéria, que teve reportagem de Teté Martinho e texto de James Cimino, ouviu depoimentos de profissionais de diversas áreas, do urbanismo ao cinema, da arquitetura à psicanálise, incluindo o sociólogo Dario Caldas, que fala do medo como um dado do século 21 e dos movimentos de ocupação urbana como contratendência atual nesse cenário.


“O Brilho Sutil da Nova Consumidora de Luxo” foi o tema da palestra concebida e realizada sob medida pelo Observatório de Sinais para a Wella, para o lançamento da nova linha premium Illumina Color. As duas apresentações (5 e 6 de fevereiro), realizadas pelo sociólogo Dario Caldas no Studio Wella Professional, em São Paulo – coordenado por Glauco Braga e Nívea Ferreira – tiveram como público-alvo os profissionais de beleza dos maiores e melhores salões de todo o País.


A edição 2013 do curso “Metodologia de Pesquisa e Análise de Tendências” foi especialmente animada, com o debate sempre quente entre os participantes (foto), em grande maioria oriundos de outros Estados (12 a 4 de SP). A transversalidade mais uma vez se confirmou como uma das principais forças do Training Program ODES, com representantes das áreas de moda, cosmética, acessórios, publicidade, design, automobilística, sociologia, pesquisa acadêmica… Com a demanda, a edição extra 1 e 2 de março do mesmo curso já está confirmada – depois, os interessados terão que esperar 2014. Mas o TP continua, com os programas já lançados e novidades ainda este ano …