Algo como “o embaraço da escolha”, essa é uma expressãozinha francesa de que a gente gosta bastante, e é tão contemporânea! A dificuldade do consumidor diante da hiper-oferta reemergiu nas críticas que têm sido feitas à CES de Las Vegas, a maior feira de tecnologia e eletro-eletrônicos do mundo, que apresentou, na sua edição recém-encerrada, um excesso de aparelhos muito próximos uns dos outros, com uma complicação tal de detalhes “diferenciais” que até os experts têm dificuldade de destrinchar, enquanto que a ponta da inovação de verdade migrou para os softwares e apps… E para provar que o consumidor nem sempre tem esse perfil ativo que gostam de lhe emprestar, está aí o sucesso da Randwiches, uma empresa do Brooklyn nova-iorquino que distribui “sanduíches randômicos”, poupando ao indivíduo o esforço da decisão cotidiana sobre o que comer… Vá entender!


Como nós, vocês devem ter perebido que os calçados de plástico Crocs invadiram as ruas neste verão. Designers e analistas – que têm opinião nem sempre favorável ao que a marca propõe – tentam entender o porquê dessa escolha dos consumidores. Aqui vai a nossa contribuição:
1 – O discurso da marca, desde sempre, foi o do conforto aliado à praticidade – mais Zeitgeist impossível, totalmente em sintonia com a geração atual, muito desencanada de afetações e excessos.
2 – Para os que achavam as cores berrantes e os modelos de mau gosto, a resposta tem vindo em cores muito mais OK, e a verdade é que os produtos deram um upgrade em design, aumentando visivelmente a sua parte de mercado nos nichos em que a marca já era forte. Esse, aliás, é o ponto número 3:
3 – O valor percebido da marca se construiu mesmo a partir de nichos menos fashion, como o infantil, a terceria idade e, agora, com muita força, o masculino.
4 – E não é que a forma de “tamancão” meio hippie acabou por agradar, pelo menos dentro do registro casual que a marca propõe?

Uma das novidades aunciadas no novo site do Observatório de Sinais para 2012 é a realização de seminários próprios de tendências gerais – isto é, dentro do conceito de transversalidade -, duas vezes ao ano. Além de pretender funcionar como sinalizadores das tendências do período, o objetivo dos seminários, em prazo mais longo, é ajudar a construir uma espécie de “calendário de prospecção” para o mercado, delimitando espaços de análise e antecipação que favoreçam o planejamento estratégico. Junto com cada seminário, será lançado também um Trends Pack, dossiê que vai detalhar e aprofundar as macro e microtendências apresentadas. Detalhe: os seminários devem acontecer no auditório do próprio Espaço ODES. Fique atento!


O novo site do Observatório de Sinais já está online, cheio de novidades em novos produtos e serviços, que a gente vai detalhando aos poucos, aqui no blog. E também já estão disponíveis as informações sobre os cursos de verão do Training Program em Tendências 2012, confira!


Alô, Sorocaba (SP)! Amanhã, dia 29/11, o sociólogo Dario Caldas estará na cidade para palestrar sobre moda e sustentabilidade na 1ª edição do evento “SESI cria moda sustentável”, promoção da Fiesp e do Sesi local (veja a programação anexa).


O arquiteto Jacques Herzog esteve no Brasil para participar do evento Arq.Futuro, palestrou e deu entrevistas em que abordou temas como arquitetura moderna brasileira, os desafios de “complex|cidades” como SP e, claro, o projeto de seu escritório para a Nova Luz – sempre com relevância e clareza (destaque para a excelente entrevista concedida à Laura Greenhalg no Caderno 2 do Estadão, publicada ontem, 27/11). O projeto do Complexo Cultural Luz, descrito ora como “uma audaciosa trama de espaços abertos e fechados”, ora como “nu e exposto”, excita e enche de expectativa todos os que torcem pela recuperação completa do Centro de SP, sobre o qual terá certamente um impacto muito positivo. A cidade agradece – e dissipa, na elegância e na humildade de Herzog, as falas dos ignorantes (como Perry Farrell, do festival Lollapalooza) e dos arrogantes (como o chatíssimo filósofo Alain de Botton), que também passaram por aqui na semana passada, mas sem deixar saudades…

Nos últimos trinta anos, tornou-se dominante a ideia de que a moda pode ser uma forma de expressão das subjetividades e, por extensão, uma estratégia de diferenciação comportamental dos indivíduos. Assim, a moda democrática, plural e pulverizada em tendências teria substituído a moda ditatorial (de cima para baixo), monolítica e orientada por uma única tendência. Por esse prisma, tudo o que favorece a emergência dos estilos individuais deve ser valorizado, ao passo que tudo o que conduz ou induz à homogeneização deve receber um sinal negativo – e, nos dias que correm, a pecha de politicamente incorreto.

Por isso, não é raro deparar-se com ideias como as publicadas no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo, no dia 17/11 (“Sem propaganda, grife americana vira ‘uniforme’ para adolescentes” e “Por aceitação, jovem adota uma marca que o iguala ao grupo”, link só para assinantes), sobre a adoção das roupas da marca Abercrombie&Fitch por uma parcela perceptível da classe média alta paulistana e brasileira, especialmente os adolescentes. Expressões como “uniforme”, “pressão social para ser aceito”, “massificação dos gostos” e “sufocação da subjetividade” dão o tom da reportagem e da análise que a complementa, não sem uma parte de razão: É claro que os jovens são mais suscetíveis à opinião do grupo de referência, e, portanto, mais facilmente influenciáveis pelos agentes do mercado; é inegável, também, que o consumismo empalidece o “ser” diante do “ter”, com todas as consequências já enumeradas e ainda por identificar que esse estado de coisas acarreta.

Mas será exato ler a difusão de um fenômeno de moda apenas como pressão social ou como conspiração mercadológica? Em que medida a adoção pelo indivíduo de uma ou de várias marcas pode causar a “anulação da identidade”? Trata-se de argumentos que se abastecem no senso comum, mas nem por isso têm valor explicativo. É preciso relembrar que quanto mais democrática uma sociedade, mais fenômenos de moda ela produzirá (Tocqueville). Que as modas funcionam com base em dois movimentos contínuos e complementares, o de imitação e o de distinção (Tarde), e que quanto mais houver fenômenos de diferenciação, mais fortemente os indivíduos tenderão a resguardar a sua individualidade na conformidade com os outros (Simmel), adotando as modas – e não o contrário!

A afirmação corrente de que a maioria dos consumidores deseja (leia-se, deve) o tempo todo diferenciar-se em relação aos demais, criando um “estilo único”, é mistificadora e veementemente desmentida por fenômenos como a invasão das camisas xadrezes, o sucesso do fast fashion ou a própria onipresença de marcas como a A&F…Esses movimentos do gosto coletivo se formam aleatoriamente, a partir do indivíduo, que se apropria das tendências e as devolve para o grupo. Já a alegação de que vestir-se de acordo com um modelo preponderante traria como consequência, no limite, a anulação da identidade dos jovens é mais grave, pois, de um lado, empresta às roupas um poder grande demais e, de outro, revela uma compreensão apenas parcial dos modos de manifestação do próprio individualismo que se pretendia, no princípio, defender. (Dario Caldas)


Já tínhamos ouvido falar do Partido Anti-Powerpoint (ou APPP, Anti-Powerpoint Party), fundado na Suíça por Matthias Poehm, que defende que os softwares de apresentação em geral (e não só o dito cujo) têm uma “aura desmotivacional” que afeta a criatividade de pessoas, empresas e a própria economia global, e prega a volta dos cartazes e das transparências (!). Aí, veio a apresentação-bomba do Malcolm Gladwell no Cannes Lions International Festival of Creativity 2011, desmontando o “inovismo”, só com discurso, para quem pode… E no Hot Luxury da Suzy Menkes em SP, o publicitário Nizan Guanaes teria dito que “quem precisa de powerpoint, não tem power, nem point”. O fato é que as intermináveis, mal construídas e, ainda por cima, lidas apresentações em softwares pré-prontos têm transformado fóruns, palestras, aulas (e o slideshare…) em um show de horrores – a imagem acima, aliás, é o horror slide of the month (sic) em destaque no site do APPP, um “quadro-resumo” da situação no Afeganistão, que teria feito um general americano afirmar: “quando entendermos o slide, a guerra terá acabado!”.


Em fase de desenvolvimento na Holanda, o Swallowable Parfum promete nada menos do que “redefinir o papel da pele”, além de “um novo ciclo de evolução” para a indústria da cosmética em suas conexões com farmacêutica, moda e tecnologia. Trata-se de uma cápsula com enzimas que, uma vez engolida, reage de maneira única para cada indivíduo, liberando moléculas de fragrância no processo de perspiração (formação de gotículas sobre a pele). O produto, totalmente posicionado em “emotional sensing”, promete total individualização, à medida que a potência do perfume liberado seria resultante da adaptação de cada um às condições de temperatura, estresse, exercício físico e atividade sexual…o que dá pistas sobre para quê exatamente foi imaginado. A acompanhar os possíveis desdobramentos para o mercado.


Quantos produtos, serviços ou coisas em geral você tem visto e ouvido ultimamente com smart como qualificativo? De smartphones a marcas de água e outros produtos alimentícios, de lavadoras a marca de carro, a categoria inavadiu o universo do consumo, geralmente para significar “inteligente”, “ecológico” ou “conectado”, como é o caso das smart TVs, produto-fetiche das feiras de eletrodomésticos este ano ( e que não é exatamente uma novidade, mas parce que “agora vai”). Fala-se até mesmo de smart power como o poder de influência de um país. Pouco a pouco, está se tornando melhor ser smart do que ser cool…Mas o risco do uso abusivo desse adjetivo é criar mais um significante sem significado, como tantos que andam por aí.