ODESBLOG

Arquivo de Janeiro de 2008

No Japão, jovens adoram ler romances no celular

Rin   - Rin, 21

    Rin, 21 anos, cuja novela digitada no celular vendeu 400 mil cópias ao ser editada como livro / Fonte: Ko Sasaki para o New York Times

O New York Times relata que, no Japão, romances escritos e publicados pelo celular se disseminam cada vez mais entre os jovens, principalmente as garotas. Essa onda, até aqui tida como fenômeno secundário, ficou mais evidente no final do ano passado, quando se constatou que cinco dos dez romances mais vendidos tinham sido publicados primeiro via celular, dia a dia, como um diário. São histórias de amor água com açúcar, de enredo previsível, mas familiares aos jovens. Trata-se de uma geração que cresceu lendo mangas, os quadrinhos japoneses. Para os jovens, é uma alternativa aos romances tradicionais, de difícil compreensão e distantes de sua realidade. Nessas novelas, os personagens não são aprofundados, as descrições são mais do que enxutas, os parágrafos fragmentados, geralmente diálogos curtos. Para os críticos, é a decadência da literatura japonesa.
O mais interessante é que o trend não foi detonado pelo universo cultural em si (o interesse por romances), mas pelas operadoras de celulares, quando decidiram oferecer transmissões ilimitadas de dados como mensagens de texto dentro do pacote comprado pelo assinante por uma taxa mensal. É um bom exemplo de como é possível construir uma tendência no mercado, tendo, é claro, as condições favoráveis. O boom só acontece porque uma geração inteira de japoneses cresceu tendo o celular como parte integrante de suas vidas, mais ainda do que os computadores pessoais. Essa geração envia mensagens digitando com os polegares sem olhar, em incrível velocidade, e usa expressões e emoticons cujas nuances escapam a todos que tenham mais de 25 anos.

Sem comentários »

Outra percepção de São Paulo

Garçom - Fonte: IHT/ Lalo de Almeida para o New York Times

    Fonte: IHT/ Lalo de Almeida para o New York Times

O portal UOL traduziu e publicou o texto do jornalista Tyler Brûlé com loas às cidades brasileiras (especialmente São Paulo, objeto do artigo), segundo ele muito mais “habitáveis” e acolhedoras se comparadas às suas congêneres dos BRICs. Vale a pena acompanhar a argumentação. Entre os atrativos, Brûlé fala do boom imobiliário modesto em Sampa (se comparado ao chinês), que não chega a convulsionar a cidade, e da velha e boa simpatia, além do bom serviço e da vontade que os estrangeiros que moram aqui algum tempo têm de ficar, ou de adquirir um pied-à-terre (o que não ocorre, segundo ele, nas cidades russas ou chinesas).O mais irônico é que Brûlé é o criador da revista Wallpaper, citada no recente post em que “descascamos” a adjetivação de Vivienne Westwood para a metrópole paulistana, “exótica”. Os links abaixo são do artigo no UOL (só para assinantes do portal) ou o original em inglês, no Herald Tribune

Tyler Brûlé voltou ao mercado editorial em 2007 com um novo projeto, a revista Monocle, internacionalista como a Wallpaper, porém com projeto editorial com mais conteúdo, orientado pela fórmula ABCDE, em que A = affairs, B = business, C = culture, D = design e E = edits. Sinais…

Sem comentários »

Hot Spot

Estreando a nova categoria do ODESBLOG, que vai apontar os hot spots do momento, o duo The Kills, com novo álbum a ser lançado em março, bomba no YouTube com o vídeo do single URA Fever, um pequeno manual de estilo, inspirado num dos vídeos do artista pop Andy Wahrol. Faz bem ver um pouco de charme do underground – entre ambientes sombrios, sofás de veludo e batom vermelhão - nesse momento em que as estrelas do rock se apresentam no palco com roupas bastante banais (salvo exceções, como Amy Winehouse, é claro).

Sem comentários »

A arte subverte o design

Falamos alguns posts atrás sobre a forte tendência do design art em que o design aproxima-se da arte. Na Galeria Vermelho, fomos conferir a exposição Looks Conceptual ou como confundi um Carl André com uma pilha de tijolos, uma das mais excitantes atualmente em cartaz em São Paulo. Trata-se praticamente do oposto do design art, já que as obras apropriam-se de elementos do design para fazer um comentário – freqüentemente ácido – sobre a cultura de consumo contemporânea. O design de interiores, o mobiliário, os objetos virtuais e até mesmo a relação jóias/valor, entre outros temas, viram matéria-prima para Stefan Brueggemann, Marcelo Cidade, Rômmulo Conceição, Los Super Elegantes, João Loureiro, Leandro Lima e Gisela Motta, entre outros. Adoramos a desconstrução da “colina Microsoft” (você sabe, aquela imagem que é um dos papéis de parede mais utilizados nos computadores) feita por Simon Goldin em Aftermicrosoft, de 2006 (foto). Você pode baixar a imagem no endereço www.goldinsenneby.com/am.jpg. No site da Galeria Vermelho tem ainda um bom texto da curadora Kiki Mazzucchelli.

Simon Goldin 1 - Simon Goldin 1Rômmulo ConceiçãoMarcelo Cidade - Marcelo CidadeJoao Loureiro - Joao Loureiro

Sem comentários »

Westwood, manifesto e “exotismo”

Por Dario Caldas

O grande evento da temporada de moda que se encerra hoje em São Paulo foi, sem dúvida, a passagem da estilista inglesa Vivienne Westwood pela cidade. Os pontos fortes foram a sua exposição de sapatos e a leitura do manifesto “Resistência ativa contra a propaganda”. É engraçado, mas as pessoas continuam tendo atitudes disparatadas diante dos estrangeiros. Sim, Westwood é uma das mais importantes estilistas do século XX, e “só” por isso seu trabalho merece o maior respeito. Mas os comentários sobre o tal manifesto em geral variaram do deslumbre puro e simples ao julgamento equivocado e superficial (do tipo “ela é contra a propaganda, mas quer vender caro suas roupas” etc.). Quem se der ao trabalho de ler atentamente o mesmo, verá que não se trata de propaganda no sentido estrito de publicidade, mas no sentido político de dominação ideológica – não por acaso, o próprio Hitler “aparece” no texto, entre tantas outras citações do universo das artes e da filosofia – uma vez que o objetivo é alertar contra a mediocridade globalizada e o recurso à arte como única forma de objetividade e de antídoto ao vazio cultural. Ao contrário de muitos estilistas, Westwood tem idéias e tem o direito de expressá-las, mas isso não significa que ela é genial o tempo todo.

O problema é que Westwood defende, como era de se esperar, que a moda faz parte desse combate, e que as pessoas devem buscar a todo custo a sua auto-expressão, inclusive pelo modo de vestir. Pode-se até concordar e defender essa idéia também, mas não é o que passa, hoje em dia, pela cabeça da geração 2000. Essa ansiedade de se expressar pela roupa é muito anos 80, muito datada, eu diria. Hoje, tem tanta coisa que ocupa o mesmo lugar, as tecnologias abriram tal espaço de possibilidades para a auto-expressão, que a roupa simplesmente deixou de ser o elo central da cadeia de articulações expressivas da subjetividade, como parece ter sido para a geração anterior. Não é de estranhar, portanto, que a neta de Vivienne não consiga entender o jeito como se veste a avó porra-louca, tão século XX.

Nem só de loas e de louros se fez a passagem de Westwood por São Paulo. A gafe do hotel Unique (“não fico aqui de jeito nenhum”) teve que ser consertada no dia seguinte com a desculpa clássica do cônjuge (“foi o meu marido”), tão burguesa. Mas o show de comentários deslocados teve seu apogeu com o provincianismo de Ruy Othake, autor do projeto arquitetônico, justificando a importância do Unique por sua inclusão na lista 2007 dos melhores do mundo da revista Wallpaper – a qual, aliás, é o tipo de publicação de estilo global, estandardizado, sem riscos e sem surpresas, o tipo de mídia “propaganda”, do ponto de vista do manifesto westwoodiano… Por fim, o que foi aquela declaração da estilista de que ela não pretende trazer o desfile de sua marca a São Paulo, embora considere a cidade “exótica”? Tradicionalmente, exótico é o distante que os europeus desejam que permaneça de preferência beeeem distante. Lady Westwood trai todo o seu eurocentrismo, com esse adjetivo ato-falho, mas quem ainda se surpreende com as manifestações de caduquice da velha Europa?

Para ler o Manifesto (em inglês):

Manifesto Resistência Ativa à Propaganda

1 comentário »

Indústria de calçados se movimenta

A Couromoda termina nesta quinta-feira, deixando evidente que a indústria de calçados e acessórios está refletindo as principais tendências da economia: deslocalização internacional da produção (empresas brasileiras começam a produzir em países asiáticos); investimento em design para fazer frente aos competidores globais; aumento do valor agregado por produto compensando a queda em volume nas exportações; e foco no mercado interno, diante do real supervalorizado.
O câmbio se confirma como objeto de crítica de dez entre dez empresários do setor. É inútil. A política do câmbio flutuante não vai mudar e o dólar continuará fraco, em vista da enxurrada de dólares estrangeiros que entram no Brasil, e que deve continuar em 2008, em menor medida do que no ano passado. A se confirmar esse quadro (dependendo, é claro, do tamanho da recessão americana), os analistas mais bem informados alertam para um dólar que pode bater em R$ 1,60, no final deste ano. E a choradeira dos exportadores de produtos com valor agregado não sensibiliza o governo, que continuará tendo saldos positivos na balança comercial graças ao boom internacional no consumo de commodities.

imagem1Imagens2

IMAGENS: Stands da Couromoda: do ambiente “bar descolado” à criatividade nas paredes externas, nenhum esforço é grande demais para atrair compradores

Sem comentários »

Ser Homem em 2008

A quantas andam as discussões sobre o masculino e as mudanças do homem? Alguns sinais recentes indicam que, ao mesmo tempo em que a questão se globalizou, como era de se esperar, ela está assumindo contornos específicos em cada cultura. No Japão , agora são os homens que fazem o maior esforço para se manter magros, devido às pressões da moda, do mercado de trabalho (a perversa associação entre obesidade e improdutividade) e das mulheres (talvez nessa ordem mesmo!). Já na Espanha os homens estão na fase de expressar sua revolta contra os estereótipos de macho que eles devem seguir e que são impostos pela tradição. Pra quem está chegando agora no debate, é bom lembrar que já vimos esse filme no Brasil dos anos 90.
Outros sinais interessantes são o dado recém-publicado de que homens mais velhos usam menos camisinha - o que está fazendo surgir um grupo de boomers promíscuos, fazendo crescer inclusive a incidência de Aids na faixa etária acima dos 50 anos (entre as mulheres também, é verdade) – e o entendimento mais ou menos generalizado de que, no que se refere a envelhecimento e continuidade da vida afetiva e sexual, são os heterossexuais masculinos de rendas mais elevadas que se saem melhor (thanks blue pill), mulheres e gays entrando na mesma espiral descendente, à medida que a idade avança. Polêmico? Dê sua opinião.
Sobre a imagem masculina e suas representações, o último fato relevante na moda foi o desfile masculino de John Galliano para o verão 2008, Road Warriors on Venice Beach, com seus looks bandido-guerrilheiro-terrorista-militar, cujos ecos já se fizeram notar na semana de moda do Rio, e certamente aportarão também em São Paulo. Enquanto isso, começaram os desfiles masculinos de inverno 2009 nas capitais internacionais, o ODESBLOG acompanha e depois conta – se tiver o que contar, é claro…

galliano 2
galliano

IMAGENS: Coleção masculina de John Galliano para o verão 2008 / Fonte: style.com

Sem comentários »

De volta, com Londres

Olá a todos, de volta à atualização do nosso blog, com força total para 2008! Começamos o ano com reminiscências de 2007, uma colaboração da nossa antena Raquel Dolzan, direto de Londres para o ODESBLOG:

londres1londres2londres3Londres - UK

“A Regent Street, famosa por seus enfeites de Natal, este ano apresentou algo diferente, mas que confirma que a interação com o consumidor continua em alta. A Nokia patrocinou a decoração da rua com um tipo de ‘molécula’ que iluminava e interagia com as pessoas. Com um toque em telas, as pessoas podiam acionar a iluminação, dando a sua contribuição pessoal. As fotos mostram esses elementos e a explicação do funcionamento para as pessoas.
Em Covent Garden, pude observar uma apresentação de Natal com pessoas vestidas de branco dançando dentro do bolas suspensas (também brancas) com aberturas no topo – as roupas lembrando nobreza, imagino… enfim, muitos elementos redondos. A Oxford Street, logicamente cheia durante o ano inteiro, estava muito, realmente muito cheia, nesta véspera de Natal! Porém, numa rua transversal, adolescentes andando de skate, parecendo estar em uma cidade muito tranqüila, ao lado daquele tumulto… e no Hide Park, alguém andando a cavalo, com cachorros, alheios ao frenesi do consumo – very british! Ainda na Oxford Street e pela cidade, nas ruas comerciais e nos ônibus, estava bombando a campanha de lançamento do novo jogo dos Simpsons - como essa estátua de plástico, que muitas pessoas paravam para fotografar”

(por Raquel Dolzan)

Sem comentários »