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No Japão, jovens adoram ler romances no celular

Rin   - Rin, 21

    Rin, 21 anos, cuja novela digitada no celular vendeu 400 mil cópias ao ser editada como livro / Fonte: Ko Sasaki para o New York Times

O New York Times relata que, no Japão, romances escritos e publicados pelo celular se disseminam cada vez mais entre os jovens, principalmente as garotas. Essa onda, até aqui tida como fenômeno secundário, ficou mais evidente no final do ano passado, quando se constatou que cinco dos dez romances mais vendidos tinham sido publicados primeiro via celular, dia a dia, como um diário. São histórias de amor água com açúcar, de enredo previsível, mas familiares aos jovens. Trata-se de uma geração que cresceu lendo mangas, os quadrinhos japoneses. Para os jovens, é uma alternativa aos romances tradicionais, de difícil compreensão e distantes de sua realidade. Nessas novelas, os personagens não são aprofundados, as descrições são mais do que enxutas, os parágrafos fragmentados, geralmente diálogos curtos. Para os críticos, é a decadência da literatura japonesa.
O mais interessante é que o trend não foi detonado pelo universo cultural em si (o interesse por romances), mas pelas operadoras de celulares, quando decidiram oferecer transmissões ilimitadas de dados como mensagens de texto dentro do pacote comprado pelo assinante por uma taxa mensal. É um bom exemplo de como é possível construir uma tendência no mercado, tendo, é claro, as condições favoráveis. O boom só acontece porque uma geração inteira de japoneses cresceu tendo o celular como parte integrante de suas vidas, mais ainda do que os computadores pessoais. Essa geração envia mensagens digitando com os polegares sem olhar, em incrível velocidade, e usa expressões e emoticons cujas nuances escapam a todos que tenham mais de 25 anos.



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