ODESBLOG

Arquivo de Março de 2008

O Brasil C

Comércio popular na 25 de março: o boom se explica - Divulgação

Ecooou por toda a imprensa nacional, blogs e portais de notícias, mas o fato é suficientemente relevante para repetirmos aqui. A classe C é a maioria da população brasileira, com crescimento expressivo nos últimos dois anos, atingindo mais de 86 milhões de brasileiros (ante cerca de 73 milhões nas classes D/E e 28 milhões nas classes A/B), com renda média familiar de R$ 1.062,00. O grosso dos novos entrantes na classe C veio do enriquecimento das camadas de baixa renda. O dado perverso, pouco citado em tempos de números exuberantes da economia como um todo, é que quase 5 milhões de pessoas vieram do “andar de cima” por empobrecimento. Para as empresas, é sempre bom insistir na necessidade de conhecer o comportamento desses novos consumidores, muitas vezes deduzidos a priori, sem nenhuma consistência. As estatísticas demonstram: estão em alta na cesta de consumo desses targets produtos como iogurtes e snacks, serviços como pet shops e tudo o que se relacione aos cuidados com o corpo e a casa. Ou seja, nada que corresponda ao ultrapassado estereótipo de um consumidor voltado apenas ao básico, ao estritamente necessário e sem nenhum luxo.

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Varejo Viral

Enquanto a discussão sobre marketing viral fica cada vez mais incontornável (na Folha de S.Paulo de hoje, por exemplo, é a matéria de capa do caderno de informática), no varejo uma das tendências mais fortes e confirmadas é a busca de uma simbiose entre loja física e loja virtual. A loja francesa Colette - que se posiciona como “o que se faz de melhor em matéria de tendências” - deu mais um passo nessa direção, com o projeto TV Colette, difundido pelo site dailymotion.com. De quebra, os apresentadores são uma espécie de “professores de tendências” (sic) com humor bem francês.

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Poluir é pecado?

velhos e novos pecados -  Fonte:BBCNews

Foi a BBC News que publicou recentemente (10/03) uma matéria falando de uma nova lista de pecados capitais em que o Vaticano estaria pensando. Entre eles, modificações genéticas, experimentos com seres humanos e poluição ambiental. Mais do que sinais dos tempos, a lista mostra bem a disputa de poder imemorial que o espiritual continua travando com o científico, e por outro lado, no caso específico do “pecado ambiental”, indica como essa esfera tem tido uma trajetória espiritual própria, que coloca a questão da responsabilidade sócio-ambiental no mesmo plano de temas como a violência e a miséria. A acompanhar os desdobramentos.

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Coolhunting é tema de dissertação em universidade portuguesa

Depois de pequenas férias de Páscoa, aqui vamos nós novamente, reativando agora os links de pesquisa acadêmica do ODESBLOG. Quem nos enviou uma colaboração foi a Julia Picoli, que está fazendo mestrado em Design e Marketing do Vestuário, na Universidade do Minho, em Portugal, e estudando o coolhunting como ferramenta. Olha só como ela resumiu o seu estudo:


    As marcas necessitam investigar os hábitos de consumo de seus clientes, bem como o que acontece na rua, nos clubes, nos shows, nas praças, bares e todos os lugares onde possam começar tendências que logo se espalham e se tornam moda. Devido ao ciclo de vida dos produtos ser cada vez mais curto, as empresas procuram prever as tendências para lançar moda. Para suprir essa necessidade de antecipação de tendências, surgiu o coolhunter, que utiliza um dos métodos mais atuais e eficazes de investigação de tendências. Estes profissionais estão em busca de tendências, movimentos culturais, comportamento, mas também do que o consumidor quer e o que ele pensa. Os jovens são o ponto de partida para uma parte importante dessa análise de tendências. São, em primeiro lugar, receptores e comunicadores dos valores, modas e tendências em todas as sociedades. Em segundo, conseguem adaptar-se mais facilmente do que qualquer outro grupo.
    Do outro lado estão as empresas, com seus marketeers, designers, estilistas, equipes de criação que têm a tarefa de transformar essas pesquisas de tendências e informações recebida dos coolhunters em produtos de moda, com aceitação no mercado, com conceito adequado e rentabilidade para empresa.
    Com este estudo pretende-se definir as características desta nova forma de pesquisar tendências e suas metodologias bem como definir os métodos e processos de implementação das tendências nas empresas. O coolhunting é já bastante utilizado nos EUA e Europa, mas pouco explorado no Brasil. Unindo o estudo desta pesquisa de tendências e as metodologias de transformação das tendências em produtos de sucesso para a empresa, espera-se contribuir para a compreensão e difusão de uma técnica pouco explorada no Brasil.

Contatos com a Julia: Juliaisoppo1@hotmail.com

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Guerra Cult

cosplayers StarWars - Fonte:www.cosplaybr.com.br/Foto: Bogardan

Abriu ontem em São Paulo a exposição Star Wars, amplamente noticiada pela mídia. Mais do que o fato em si, interessa o que esse sinal indica sobre a evolução do gosto e os efeitos da cultura pop sobre os comportamentos. Ligado ao fenômeno cosplay, o sucesso anunciado da exposição deve se dar em parte, também, pela evolução do conceito de cult para as novas gerações (20, 30, 40…), assunto abordado pelo sociólogo Dario Caldas em artigo publicado recentemente na imprensa. Caldas afirma que o cult supõe “escolha entre vários, filiação e admiração”, por isso ele se situa no “quentíssimo território do relacional pleno”, fazendo do cult uma arena privilegiada para a gestão das marcas.

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Fim de um estilo?

Lov.e - Fonte: divulgação

O fim do clube Lov.e, com dez anos de existência, e o declínio da noite na Vila Olímpia, em São Paulo, marcam mais do que uma mudança no eixo da vida noturna, sempre mutante. O fato dos melhores clubes se situarem, atualmente, no centro da cidade ou em bairros menos óbvios, como a Barra Funda, indicam uma sensível mudança de sensibilidade, que despreza o bom-mocismo da zona sul e o “discreto charme da burguesia”, para valorizar, novamente, os aspectos underground. No mesmo pacote está o desinteresse generalizado pelos clubes gays, monumentos do hedonismo dos anos 90. Tudo muito alegrinho demais. Trata-se da emergência de uma outra espiral, que começou com a nova onda rock dos anos 2000 e que se estende até hoje, com a renovação de interesse por movimentos neodark e heavy de todos os matizes.

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Freeconomics

É o termo que a revista Wired utiliza para falar da economia do grátis, “o futuro dos negócios”. A idéia é dar algo para ganhar dinheiro vendendo um outro algo bem mais valioso. A matéria começa dando vários exemplos de como essa estratégia se desenvolveu e como acontece hoje, desde dar máquinas de café às empresas para vender caro os sachês, até vender consoles de games baratinhos e cobrar os games em si muito caro, o mesmo valendo para impressoras e cartuchos de tinta etc.
Mas foi a internet que realmente detonou essa tendência. Segundo a revista, depois de uma década e meia de discussões sobre serviços free versus serviços pagos, o debate está chegando ao fim, e os sinais estão por toda a parte: o jornal New York Times é de acesso livre desde 2007, o Wall Street Journal vai na mesma direção, bandas como o Radiohead e Nine Inch Nails só ganharam mais dinheiro pondo seus álbuns na web, e por aí vai.
Quando a gente pensa nisso, não dá pra deixar de citar a economia do tecnobrega do Pará. Os sistema freeconomics já é conhecido há tempos pelos compositores, artistas e dj’s locais, que se utilizam da pirataria para realizar lucros com apresentações em festas e na noite animada de Belém. O assunto foi tratado por Regina Case, no Fantástico, em 2004, depois no Central da Periferia em 2006, e foi alvo de reportagem na revista Rolling Stone Brasil de janeiro de 2008.
Só para concluir, uma frase lapidar do artigo da Wired: “as linhas de tendências que determinam o custo de fazer negócios on-line apontam todas para o mesmo lugar: para zero”. Aos que fazem negócio vendendo informação via web, sorry, mas, a julgar pela palavra dos especialistas, tudo indica que os dias desse tipo de negócio estão contados.

ff free1 f - Wired março 2008

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