ODESBLOG

Arquivo de Abril de 2008

Comsumo brasileiro deu matéria de capa

Os nvos consumidores brasileiros, segundo a Exame (falt - Revista exame, edição 916

A edição da revista Exame desta semana (23/04) traz como matéria de capa “O novo consumidor brasileiro”. São analisadas cinco tendências: o avanço das mulheres no mercado, mais casais sem filhos, o aumento do número de pessoas morando sozinhas, mais consumidores de meia-idade e, finalmente, uma vida mais longa e melhor (representada por um casal de terceira idade, que ficou de fora na nossa reprodução de imagem, acima). Como se vê, a revista correlaciona cinco tendências demográficas amplamente comprovadas com fenômenos de consumo, dando na reportagem diversos exemplos de como as empresas brasileiras estão respondendo a elas. Nada muito novo, em termos de informação. Quem acompanha o trabalho do Observatório de Sinais sabe há quanto tempo vimos falando de Mulheres Pós-feministas, de Famílias da Diversidade, de Novos Velhos. Na nossa opinião, a revista perdeu uma ótima oportunidade para explorar também aspectos mais qualitativos das mudanças comportamentais do consumidor brasileiro e suas atitudes de Turbo-consumidor. Normal, a revista se atém aos fatos quantitativos, às tendências demográficas comprovadas, sem arriscar-se em territórios que possam gerar controvérsias. É o domínio da opinião média, típico da grande imprensa e bastante compreensível. Por outro lado, no site da Exame, mais (e bom) material sobre relações entre tendências demográficas e consumo.

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Chamadas para publicações

Duas chamadas para publicações em revistas acadêmicas. A primeira vem da Revista Rotunda, publicação do CEBAP - Centro de Pesquisa em História das Artes no Brasil, da Unicamp (SP), que prepara um “Dossiê História da Arte, Design e Moda no Brasil” e recebe artigos até 30 de abril. O envio deve ser feito para o e-mail patsant@gmail.com, aos cuidados de Patricia Sant’Anna. O outro chamado para artigos e resenhas é da revista Modapalavra, da Udesc (SC). As normas e o número 1 encontram-se no link.

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SAFE em detaque na mídia

O caderno Vitrine da Folha de S.Paulo de sábado 12/04 (link válido só para assinantes) destacou com a manchete “Parafernália paranóica” a tendência SAFE, confirmando mais uma vez uma das direções de consumo apontadas pelo Observatório de Sinais em 2007. O artigo, assinado pela jornalista Danae Stephan, era complementado por uma série de indicações de produtos, de protetores de assentos sanitários a um balanceador de íons negativos (sic):


    O desejo de salvar a própria pele é um dos que vão orientar o desenvolvimento de produtos nas próximas décadas. A megatendência, batizada de “safe” pela agência Observatório de Sinais, reflete a atual insegurança planetária e engloba duas grandes correntes, segundo a explicação do sociólogo Dario Caldas, diretor da empresa. A primeira corrente está ligada ao medo da violência, materializada em aparelhos de segurança de alta tecnologia, no estilo das fechaduras biométricas, que identificam pessoas por meio de características como impressão digital.
    A outra corrente está relacionada à preservação do corpo. “Esse é um novo território dentro da época individualista que já vivemos há tempos”, diz Caldas. “A diferença é que antes o individualismo era hedonista e buscava o prazer. Agora está voltado à autopreservação.” Nesse espírito se alinham os alimentos funcionais industrializados e as traquitanas para mapear o corpo de todas as maneiras possíveis, entre outros produtos.
    Está tudo ligado a um momento sociocultural marcado pelo pessimismo. “Até o final dos anos 90, a evolução tecnológica, o crescimento econômico, tudo apontava para um futuro otimista”, diz Caldas. “Na virada do milênio, especialmente depois dos atentados do 11 de Setembro, o horizonte se tornou mais sombrio”. Os desastres climáticos e a preocupação com o futuro se juntaram ao terrorismo, à guerra do Iraque e às neuroses urbanas para completar esse humor.
    O mercado responde a essa tendência à altura, e a indústria da segurança deita e rola: é uma das que mais crescem no mundo, perdendo apenas para a cultura digital. Ao mesmo tempo em que são aperfeiçoados equipamentos e sistemas de proteção, parte da indústria se aproveita para fabricar mais paranóia. Roupas feitas com tecidos à prova de balas, celular que indica a localização do usuário e supervitaminas são exemplos que, se já não estão sendo vendidos em larga escala, ainda vão cair no gosto do freguês.
    “O que se deve questionar é até que ponto determinado produto ou aparelho serve de fato e até que ponto ele está só ajudando a construir uma paranóia”, diz Caldas.

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“Descolamento” também nas automobilísticas?

O icônico modelo T, da Ford: qualquer cor, desde que s - Fonte: Reuters

Sinais recentes sugerem que não é só nos índices da macroeconomia que está ocorrendo um “descolamento” entre países desenvolvidos e emergentes, mas também nas estratégias adotadas pelas automobilísticas em relação a esses países. As automobilísticas se movem rapidamente nos mercados emergentes, ao mesmo tempo em que a crise nos EUA leva a repensar estratégias.

No Valor de ontem (10/04), “Renault abre centro de design em São Paulo para se aproximar das artes”, relatando a inauguração do sexto centro de pesquisa e desenvolvimento em design da marca francesa no mundo, que investe agora as suas fichas de criação nos emergentes. O local escolhido foi a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, coração do design de luxo paulistano. A idéia é monitorar tendências da arte, do design e da moda - mais uma confirmação da tendência que o Observatório de Sinais chama há tempos de ArteModa, dentro do princípio metodológico de convergência. A reportagem relata ainda que as vendas da Renault no país cresceram depois do lançamento do Sandero, modelo com pitadas do talento brasileiro em seu desenvolvimento. É o caminho: a observação e interpretação local das tendências mostra-se muito mais eficiente e realiza o sonhado equilíbrio com o global, operando ao mesmo tempo um sensível deslocamento em relação à ultrapassada idéia de “adaptar” ou “tropicalizar” tendências globais. Mas isso vai acontecer de fato? Resta garantir que a equipe está preparada para realizar essa tarefa, com autonomia suficiente, ou se o centro de desenvolvimento local será mais um simples “adaptador” das diretrizes da matriz, como as multinacionais de ourtso setores produtivos preferem, burramente, instalar por aqui.

Enquanto isso, nos EUA, a Ford e outras montadoras repensam o caminho do excesso de personalização e de cores, relata a Reuters. No caso do Focus Sedan da Ford, havia cerca de 100 mil combinações possíveis de cores de todos os elementos, das quais apenas 4 mil eram realmente lucrativas. Aproveitando a onda retrô (nada mais conveniente), a montadora propõe voltar aos tempos do modelo T, em que o preto era de lei. Back to blacks, como diria La Winehouse.

(Colaborou Raquel Dolzan, de Londres)

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O Riquistão também é aqui?

Riquistão, de Richard Frank, Ed. Manole, 2008 Dirty Sexy Money - Divulgação

Saiu no Brasil o livro Riquistão, do jornalista americano Robert Frank, um estudo de cunho etnográfico dos novos ricos americanos - os que enriqueceram enormemente e substituíram as fortunas tradicionais. A produção de novos bilionários e milionários (estes, para Frank, constituem um “baixo Riquistão”) tem sido intensa nos países BRIC (”Brasil ganha 60 mil novos milionários em um ano”, noticiou a imprensa em janeiro último , segundo um estudo do The Boston Consulting Group). Eis aí boa parte da explicação para o superaquecimento do mercado de luxo. Na TV, séries como Dirty Sexy Money, exibida no Brasil desde o começo do ano na AXN, e Gossip Girls, exibido pela Warner, são outros sinais da nova relevância do tema - tratado pela primeira vez na sociologia por Veblen, no final do século XIX, no clássico Teoria da Classe Ociosa. Ah, faltou uma pista:um bom artigo sobre e trecho do Riquistão você pode ler aqui.

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Cidade e Cultura

entrada de galeria de arte - Fonte: NYT

Acontece em São Paulo esta semana, de 9 quarta a 11 sexta, o seminário A Cultura pela Cidade – Uma Nova Gestão Cultural da Cidade, realizado pelo Itaú Cultural e pelo Centro Cultural de Espanha em São Paulo. Segundo a divulgação, “o encontro analisa as práticas culturais e a renovação das cidades com o objetivo de constituir um grupo de reflexão no qual se possam apresentar sugestões de ação em relação ao tema abordado”. Para isso, muita gente interessante na programação, trazendo cases de cidades como Belém, Toronto e as espanholas Barcelona e Bilbao. O mais legal é que mesmo as sessões fechadas ao público serão transmitidas on-line. Ótima oportunidade para acompanhar o debate atual sobre o papel da cultura na construção de economias criativas.

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Brasil no mundo

Pesquisa divulgada pela agência BBC internacional, noticiada também hoje pela coluna TodaMídia de Nelson de Sá (Folha de S.Paulo) relata que o Brasil é o 6º país mais bem avaliado do mundo, em termos de sua influência positiva, atrás apenas de Alemanha, Japão, União Européia, França e Grã-Bretanha. Os entrevistados eram perguntados sobre a sua percepção da influência positiva ou negativa de um grupo de 13 países mais a União Européia sobre o mundo. O resultado pode indicar uma tendência de superação da imagem brasileira negativa (violência, criminalidade e corrupção), que se difundiu nas duas últimas décadas, suplantando “o país da festa, do carnaval e do futebol”. Mas evidentemente não a exclui. Outros dados relevantes da pesquisa: O Brasil é muito bem avaliado nos EUA, onde 61% dos entrevistados consideram nossa influência positiva. E muito mal avaliado na Turquia e no Egito (ãh?), além de… Portugal: Os patrícios se dividiram, 36% acham nossa influência positiva e 34% negativa - sinal claro de que as coisas estão fritando por lá, para os brasileiros.

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Mais cultura digital

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No último dia 27, o Brasil foi objeto de programação no Cube - a gente ja falou aqui desse centro de pesquisa francês sobre a cultura digital. Foi uma noite dedicada à vídeo arte, organizada por Francesca Azzi, diretora artística do Festivel Fluxus. Quer dar uma olhada em quem foi exibido por lá?

http://www.lesiteducube.com/site/breve.php?id=377

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AgroWorld

Socialites participam do concurso Rainha da Feira Agrop - Folha de Londrina / divulgação

Socialites participam do concurso Rainha da Feira Agropecuária de Londrina - PR / Fonte: Folha de Londrina, divulgação.

O enriquecimento do campo e as transformações vividas pelo agrobusiness na última década são aspectos essenciais para entender o Brasil contemporâneo - e as estratégias de consumo de uma parte cada vez mais importante de consumidores do interior do País. O banco de invetsimentos Goldman Sachs - que criou o termo BRIC - afirma, por exemplo, que um dos desdobramentos mais importantes dos países emergentes para a próxima década será o desenvolvimento de enormes áreas geograficamente distantes das metrópoles costeiras. É o que já está acontecendo no Brasil. Em regiões como o norte do Paraná, oeste de São Paulo, Triângulo Mineiro e Mato Grosso do Sul, além do sul de Goiás, agroboys e agrogirls entregam-se alegremente ao culto de uma estética estranha aos olhos das capitais, mas que movimenta montanhas de dinheiro. Mais uma vez, a questão é distanciar-se dos clichês: o comportamento desses grupos não tem mais nada a ver com o conservadorismo e o atraso de décadas atrás.

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