Arquivo de Maio de 2008
A bolha avança
O mercado de arte continua bombando na mídia tupiniquim, repercutindo a tendência explorada em dossiê pela revista Art Forum de abril, que trouxe a caveira de Damien Hirst na capa. No último final de semana, enquanto o caderno Eu&Fim de Semana, do Valor Econômico, punha na capa a “Arte como Investimento - bons ventos da economia aquecem mercado de artistas contemporâneos”, na mesma sexta-feira o Estadão dava o recorde histórico de Beatriz Milhazes em leilão na Sotheby’s de Nova York, 1 milhão de dólares por uma obra de artista brasileiro vivo. E no sábado, na Folha, foi a vez de Elio Gaspari (sic) (link para assinantes) falar do bom momento para a arte contemporânea que valoriza, cada vez mais, Francis Bacon e Lucien Freud, e dá-lhe mais recordes de valores. E para quem não se convenceu, o recém-citado no ODESBLOG Stefano Tonchi dizia, naquela entrevista da 032c, que “a arte contemporânea é hoje para as pessoas o que a moda foi nos anos 80 e 90″.
Sem comentários »Individuals
Mais duas histórias do nosso tempo de hiperindividualismo galopante: a singlehaus do escritório de arquitetura polonês Front Architects - quase um outdoor, esse braço que suspende a mini-estrutura (bota mini nisso) que cabe em qualquer tipo de terrreno, até em um espaço público - e a suprema customização do mais conhecido search engine, reinventado pelo PimpMySearch. Sinais que falam por si - mas em monólogo… (Colaborou Regina Pombo)
Sem comentários »Novos trends comportamentais
A mídia internacional (BBC Brasil e NYTimes) relata por estes dias a consolidação de dois novos trends comportamentais. Um vem de Paris (mas com difusão já em nível europeu), a Tectonik, movimento de jovens entre 15 e 22 anos que eclode nas ruas, principalmente na região central da cidade. O ponto de partida foi a marca registrada com esse nome, uma festa que acontecia nos arredores de Paris. É um movimento de estilo baseado em dança, música e moda (como todos eles), que recupera uma parte do vocabulário de moda dos anos 80, mixando-o com várias tendências de música eletrônica (daí inclusive o nome “tectônica”, referindo-se às diversas camadas superpostas que formam a história toda). Parte importante da identidade da Tectonik se deve à dança, num (outro) mix de movimentos que está sendo chamado de jump style. É claro que o mainstream já se apropriou da história, esse é um processo que fica cada vez mais rápido na hipermodernidade. É o caso da publicidade:
Em Nova York, por outro lado, a nova história se chama steampunks, um movimento de estilo que mistura música, cinema, design e moda e que o Times chamou de “a time-traveling fantasy world”. É um estilo que vem num crescendo nos últimos anos, se pensarmos em um certo gosto retrô que dominou uma parte importante da cena rapper. Mas agora vai além, com o culto a um repertório bem definido de ícones que vão de filmes como Brazil a estilistas como Alexander McQueen. Não deixa de ser irônica a apropriação da tecnologia que os steampunks fazem, recobrindo-os com pistas do passado. Para concluir, ambos os movimentos, Tectonik e steampunks, têm em comum a incorporação da internet como meio de reafirmação identitária e de propagação, a ponto de podermos falar de web-propagated ways of life.
Sem comentários »Arqueologia afetiva
A nova loja do estilista John Varvatos em Nova York ocupa o antigo CBGB, templo da noite nova-iroquina do auge do período punk e new wave. Varvatos conservou as paredes, posters e grafitis do local - e toda a carga afetiva do mesmo, numa camada subjacente à da nova loja, como se fosse um sedimento arqueológico que o consumidor-explorador reencontra entre uma calça e um acessório. Uau, isso merece o nome de conceito.
Sem comentários »Revistas, lá e cá
É verdade que nas (melhores) bancas de revistas de hoje dá para encontrar muito mais publicações internacionais interessantes do que acontecia até a primeira metade dos anos 90. Ainda assim, sempre com aquele jet lag amplificado, principalmente se as revistas vêm da Europa. De todo modo, é bom ter acesso, por exemplo, a uma 032c, a revista berlinesa de cultura contemporânea, sem precisar visitar as estepes alemãs. A edição que anda pelas bancas daqui ainda é a do inverno 2007/2008 e, entre muita coisa bacana, traz entrevista com Stefano Tonchi, o editor da revista T, do jornal New York Times, que desde o ano passado tem circulação global, como parte do International Herald Tribune. E por falar em revistas de estilo de grandes jornais, a Folha de S.Paulo lançou a sua nova revista Serafina, com circulação restrita a São Paulo, Rio e Brasília, e já objeto de polêmica: muito “caras” para alguns, muito “fina” para outros, o fato é que, a julgar pela proposta dos primeiros dois números, ainda não foi desta vez que vimos surgir uma revista de estilo e cultura contemporânea feita por um grande jornal brasileiro, com a estatura de suas congêneres internacionais.
Sem comentários »Celebridades como marcas
É o mote da matéria de Luísa de Oliveira para a publicação WF+Varejo, que traz entrevista com o sociólogo Dario Caldas dissecando o tema. A versão impressa traz a íntegra, mas tem um aperitivo no link indicado.
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