Arquivo de Setembro de 2008
Transitoriedade
Por falar em arquitetura, ontem fomos visitar a exposição Moradias Transitórias, em cartaz desde ontem em no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Dirigida por Nicola Goretti, a mostra reúne artistas-arquitetos com propostas e obras bem diversas, mas interconectados pelo olhar da curadoria, que pretende “pensar arquiteturas orgânicas, mutantes, flexíveis e lógicas que permitam a mobilidade migratória das pessoas e a incorporação de seus refúgios dentro do tecido polimorfo das cidades, invadindo e transformando os espaços da coexistência”. Recorte muito atual, como se lê nesse trecho do catálogo. Participam do desafio, com projetos de moradias, Gustavo Diéguez e Lucas Gilardi, Ana Miguel, Domènec, Emiliano Godoy, Jum Nakao e Pop Carvalho, Lucy e Jorge Orta e Ralph Gehre, este com uma obra especialmente sensível, feita de interferências sobre uma coleção de livros Tesouros da Juventude.
Sem comentários »Arquitetura Hoje
A Bienal de Arquitetura de Veneza está em cartaz. É uma exposição incontornável, um desses raros eventos que podem dizer algo de efetivamente novo - como aconteceu na célebre Bienal de 1980, quando Veneza fez explodir a discussão sobre o pós-moderno. Este ano, a mostra se chama Out There: Architecture Beyond Buildings, e segundo o seu curador Aaron Betsky, escritor, jornalista e diretor do Museu de Arte de Cincinnati, o foco é a relação do indivíduo com o espaço. Destacam-se as instalações site specific de escritórios como Asymptote e da cada vez mais ubíqua Zaha Hadid. David Rockwell fez um Hall of Fragments, com filmes históricos e de ficção cinetífica. Há 56 pavilhões estrangeiros, entre eles o do Brasil. As coberturas têm aparecido um pouco por toda a parte. Um bom material se encontra no site da BBC Brasil.
Sem comentários »Byrne / Eno / Glass / Serra: 0 grau de separação
O assunto é música e arte - mas só a melhor. Saiu o resultado da nova colaboração entre os músicos Brian Eno e David Byrne, ex-Talking Heads, dois faróis da música experimental que flerta com o pop. O nome do álbum é Everything that happens will happen today e no site você tem todas as referências, faixas incluídas.
Outro integrante da vanguarda musical que passou recentemente pelo Brasil foi Philip Glass participando do excelente ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, realizado há alguns anos em Porto Alegre e Salvador, e que desde junho último ganhou edição também em São Paulo (ufa!), na Pinacoteca. O ciclo deste ano recebe, ainda, entre outros garndes nomes, o artista Richard Serra, que merece um uau!, mas só vai palestrar para os sortudos gaúchos e baianos, em novembro (ao menos, é o que nos diz o programa). Bom, com a Bienal acontecendo em São Paulo na mesma época, é possível que o Serra tenha uma agenda por aqui também.
Sem comentários »Marketing nas alturas
A marca alemã de automóveis Mini pega carona na New York Fashion Week para instalar um espaço de eventos no teto de um edifício de Manhattan. De dia, espaço de lazer, jardim suspenso ou academia; de noite, é claro, lugar de festas e badalação, com sistema de iluminação em LEDs e tudo o mais. Detalhes que contam: não ha nenhum carro em si no ambiente, e o espaço só vai durar dez dias. Temporário, exclusivo, diferente, um evento que concretiza a experiência da marca, mas pela tangente, sem ostentação direta do produto. E por que será que os tetos dos edifícios não são explorados em São Paulo?
Sem comentários »ARTEMODA: últimos desdobramentos
No ponto certo de maturação para operar uma difusão em grande escala, a tendência que o Observatório de Sinais chamou de ARTEMODA não cessa de produzir sinais interessantes. Na capa da revista Time, edição européia, atualmente nas bancas (européia, porque nas outras, incluindo obviamente a norte-americana, só dá Sarah Palin esta semana…), a história é sobre como o artista Damien Hirst se tornou uma espécie de pop star, em vias de enriquecer ainda mais com um superleilão de suas obras programado na Sotheby’s. Em Nova York, no último final de semana, rolou no Soho a terceira edição da divertidíssima Art Parade - confira o vídeo aqui para ter uma idéia do evento, que congrega a comunidade criativa (sic) da cidade. Entre nós, foi a vez do Vitrine de sábado último (link só para assinantes) avisar que é hora de arte para todos, com precinhos camaradas de obras e artistas idem, nas galerias mais descoladas da Paulicéia.
Sem comentários »Consumo conspícuo e democratização são temas da hora
Por Dario Caldas
No último domingo, 31/08, o caderno Mais! da Folha de S.Paulo (link só para assinantes) trouxe três artigos rediscutindo a moda e o luxo. Antes de mais nada, um grande “viva!” ao espaço de prestígio concedido a essa discussão. Minha idéia, aqui, é continuar o debate.
Na entrevista concedida pelo filósofo sueco Lars Svenden a Alcino Leite Neto, me chamou a atenção a crítica que ele fez a uma idéia fundamental de Gilles Lipovetsky sobre a moda, contida no “Império do Efêmero”: a “função democrática” que a moda cumpriria nas sociedades modernas. Ao ser perguntado sobre esse ponto, Svenden afirmou que “o número de peças de roupas que podemos encontrar no guarda-roupa do cidadão mediano não chega a ser um bom indicativo do funcionamento adequado, ou não, das instituições democráticas de seu país”. Isso é óbvio. Ninguém faria tal afirmação, sobretudo não é isso que diz Lipovetsky no “Império do Efêmero” - aliás, como costumo dizer, um dos livros mais citados e menos lidos de todos os tempos (sobretudo pelos estudantes de moda). O que Lipovetsky afirma é que a moda, como forma de funcionamento da cultura (a “forma moda”, como dizem os sociólogos) favoreceu a democratização das sociedades, a partir do início da idade Moderna, à medida que permitiu ao indivíduo (a própria noção de indivíduo é outra “novidade” dessa época) exercer crescentemente o seu poder de escolha, liberando-se do peso da tradição como única forma de conduta possível. “Moda”, então, passou a significar mudança, abertura ao novo, gosto pelo moderno, possibilidade de exercer a sua individualidade. Como se vê, nada a ver com a quantidade de peças que você tem no guarda-roupa, argumento bastante ingênuo de Svendsen (cujo livro, confesso, não conheço - minha crítica, aqui, parte apenas da entrevista do Mais!, que fique bem claro).
Outro artigo interessante, “Luxo Conceitual” relata os resultados de uma pesquisa realizada por três pesquisadores das universidades de Chicago e da Pensilvânia, recolocando em discussão o clássico conceito de “consumo conspícuo” definido por Veblen, ainda no final do século XIX, e em parte negado (o status como único motor do consumo) pelas teorias atualmente em voga. A pesquisa também postula uma correlação entre formas de consumo e etnias. São dados polêmicos. Como o artigo é um resumo de um trabalho científico, não dá para discutir a fundo, mas dá para afirmar que as dados relativos aos negros e latinos norte-americanos são, de cara, mais aceitáveis, até pela lógica (um gosto particular, mais maximalista, faz a cama para uma propensão a consumir artigos de luxo mais vistosos, com acentuada preferência por jóias e grifes mais “ostensivas”). No entanto, daí a afirmar que o jogo todo se resuma, novamente, a status, ou a não parecer pobre, como afirmam os pesquisadores, me parece bem mais contestável. A correlação estatística foi provada (consumo de bens conspícuos x negros e latinos), mas não vi menção a um avaliação qualitativa profunda que provasse que as motivações individuais sejam mais fortemente orientadas por status do que pelo consumo emocional, psicologizado, pela busca de satisfações em outros níveis individuais.
De qualquer modo, e em vista do consumo ascendente das “novas classes médias” brasileiras, e todo o debate recente sobre os critérios de classificação de “classe” que ressurgiram com força na mídia, pela palavra de diversos intelectuais de respeito, creio que há sinais suficientes apontando para uma revisão do “consumo conspícuo” - e até mesmo uma atualização do “Império do Efêmero”, que já tem vinte anos, e que Lipovetsky, em sua recente passagem por São Paulo, me confidenciou já estar em processo de preparação, sem pressa.
Sem comentários »Família do Futuro no Fantástico
Viram a gente no Fantástico? Foram dois mini-programas, inseridos na série sobre a família brasileira, para comemorar os 35 anos do Fantástico. O tema foi trabalhado pela equipe de designers da TV Globo, com material de pesquisa preparado com exclusividade pelo Observatório de Sinais.
E se você ainda não viu…está no site do Fantástico, procure pelas matérias “Casais do futuro só vão ter filhos aos 40 anos” (no programa do domingo dia 17) e “Bissexualismo ganhará espaço na família do futuro” (domingo dia 31).
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