Arquivo de Novembro de 2008
Brasil/Mundo
Começa no dia 3 e vai até o dia 6 de dezembro o evento Miami Design/, paralelo à feira de arte Miami Basel, que este ano entrega aos nossos Irmãos Campana o prêmio Designer of the Year. Caso bem-sucedido de transposição do ethos brasileiro ao design, os Campana são sempre lembrados na ainda recorrente discussão sobre a malfadada “identidade brasileira” dos produtos, que continua assombrando as rodas de debates do design e da moda nas quais, via de regra, se reproduzem as opiniões-clichê habituais. Mais valem cinco minutos de reflexão sobre a TransRock (foto) do que todo o blábláblá sem bibliografia que se ouve por aí. Por outro lado, assume especial relevância, no contexto das novas relações Brasil/mundo, a monitoração das evoluções por que passa a imagem do país e da cultura brasileira lá fora. O número “Brasil no Mundo” da revista argentina Nueva Sociedad traz uma contribuição para pensar o assunto, com textos como “Culturas brasileiras no mundo - do país do samba e da caipirinha a um pólo de inovações culturais contemporâneas”, de Ana Carla Fonseca Reis e George Yúdice.
Sem comentários »As últimas do varejo seletivo em Paris
A retração da economia e a subida do dólar trazem para o brasileiro, entre outras consequências, o corte de viagens ao exterior. Paris vai ficar para a próxima? Não tem problema, Suzy Menkes mostra no IHT, em matéria e no vídeo abaixo, as novidades do varejo seletivo na Rue de Mont Thabor, nos arredores da Saint-Honoré. O mote da matéria é a abertura da nova loja Yohji Yamamoto, mas a estrela da rua é mesmo Maria Luisa. “A boutique da Maria Luisa Poumaillou, com quem tive o prazer de fazer um workhsop de varejo na minha passagem pelo IFM, foi precursora no espírito de curadoria, em que a proprietária imprime o seu gosto pessoal no mix, inovando sempre na busca e no lançamento de jovens talentos - e isso desde o início dos anos 90, muito antes da colette ou da 10 Corso Como abrirem as portas”, contou Dario Caldas ao ODESBLOG. Gongou Paris? Vai lá pelo vídeo…
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“Geração Odisséia” em visão brasileira
O termo “odisséia”, aplicado pelo escritor norte-americano David Brooks ao falar da fase de experimentação e de nomadismos generalizados, cada vez mais comum na vida das pessoas, foi aplicado na reportagem da revista Marie Claire para falar de uma geração, que se caracterizaria especialemente por essas duas características. A reportagem, assinada por Raq Affonso e Patrícia Lelles, conta com o ponto de vista do sociólogo Dario Caldas e analisa a pertinência da aplicação do termo “geração odisséia” no Brasil.
Sem comentários »As tendências e a lógica da epidemia
A imprensa norte-americana publicou, e os portais rapidamente estão ecoando por aqui, o lançamento do Google Flu Trends, a nova ferramenta do Google que rastreia epidemias de gripe nos EUA, a partir das buscas dos internautas por palavras como “sintomas de gripe” ou “dore musculares”. Espera-se que a ferramenta, que se insere na confluência entre o design de um serviço e a tecnologia, possibilite o rastreamento de uma epidemia com no mínimo uma semana de antecedência em relação aos órgãos de saúde responsáveis. A coincidência das curvas, no gráfico publicado pelo International Herald Tribune , comprova a eficiência e exatidão do novo serviço. É um exemplo concreto das tendências funcionando como verdadeiro instrumento de previsão.
Sem comentários »A guerra dos muros
Por Dario Caldas
De um lado, grafieteiros, de outro, pichadores. Ou melhor, de um lado grafiteiros mainstream, de outro pichadores-com-causa e grafiteiros underground, e de um terceiro lado, os pichadores “autênticos”. Faz sentido? O fato é que a situação nesse “segmento” se complica, com os ataques da turma cabeça de pichadores que tomou conta da Bienal, depois de praticar atos semelhantes em faculdades, galerias e grafites das ruas de São Paulo. A imprensa protesta, as empresas (que grafitam os seus muros e portas para evitar pichações) protestam, e os grafiteiros mainstream, acusados de “vendidos”, também. Já os pichadores-com-causa justificam suas ações com o mesmo refrão dos pichadores “autênticos” - devolve-se à metrópole a dureza com que ela nos trata igualmente a todos (uns mais igualmente que outros, acrescentamos nós) - só que eles, os com-causa, são bem nutridos e universitários, enquanto os autênticos vêm das periferias e das franjas do consumo. Lembramos daquele primeiro círculo de difusão do punk, quando o movimento perde força entre os punks “autênticos”, na virada dos anos 80, e ganha o meio universitário londrino, já com a dupla Vivienne Westwood/Malcom MacLaren em ação. Agora, que purismo é esse, dessa turma que quer dizer o que pode e o que não pode, em plenos anos 2010? Garfite underground pode, grafite limpinho não pode… será a síndrome da Dra. Lorca? Bom, é verdade que o grafite em si já é maisntream, vide os guias dos melhores grafites da cidade que a grande imprensa vem publicando (Revista da Folha, e agora o do Daniel Piza, no Estadão de 02/11), também tem muita gente lucrando com a arte urbana, por exemplo empresas de design que “divulgam” essa manifestação, estampando pratos e canecos com grafites “únicos e exclusivos” de jovens grafiteiros querendo mesmo divulgar o seu trabalho e ganhar algum. A institucionalização, depois da etapa galerias, passa agora pelos museus - a mais recente manifestação é a exposição de osgemeos no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Mas - e daí? Já se sabe faz tempo que o destino dos movimentos de estilo e do “novo” que emerge das ruas é ser cooptado pela cultura oficial e perder em força de contestação. Ainda sobre a institucionalização do grafite: Interessante notar, na exposição de osgemeos, que as obras (bom, se está no museu já dá para falar assim, ou não?) funcionam sobre a parede, mas não funcionam em qualquer suporte. Quando se transformam em “telas”, os grafites perdem alguma coisa de seu encanto original e da magia do traço da dupla, quase caindo em um registro naïf meio banal - a perda de punch a que se aludiu acima…
Sem comentários »Starchitects farão novo teatro em SP
Deu hoje na Folha, e reproduzimos aqui, muito excitados com a perspectiva: a dupla de arquitetos suíços Herzog e De Meuron, bambas internacionais mais do que reconhecidos (vide Tate Modern, na imagem, e Ninho do Pássaro, entre tantos outros projetos), foi oficialmente anunciada como escritório contratado para o novo teatro de ópera e dança, a ser construído em frente à Sala São Paulo - dentro da grande operação urbana que (por enquanto) tenta reconverter a “cracolândia” em Nova Luz. O projeto ainda nem existe e já gostamos - pelo menos, parece que São Paulo demonstra vontade de integrar o circuito da boa arquitetura internacional (a exemplo do que ocorreu em Porto Alegre, com o projeto da Fundação Iberê Camargo pelo arquiteto português Alvaro Siza, e da controversa Cidade da Música, no Rio, projeto de Chistian de Portzamparc).
Sem comentários »Porque as metrópoles são suportáveis
Em São Paulo, entre os meses de outubro e novembro: Salão do Automóvel, GP de Fórmula 1, Mostra Internacional de Cinema, Bienal do Vazio, circuito paralelo de exposições, Viver Design em São Paulo, Semana Mesa SP e Jantar do Século, fora os festivais com nome de cerveja e de telefonia…
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