Arquivo de Dezembro de 2008
Até 2009!
O Observatório de Sinais deseja um excelente final de ano e boas vibrações em 2009 a seus clientes, amigos e leitores do ODESBLOG, e comunica que estará fechado a partir do dia 19/12 até o dia 05/01. O blog ficará desativado até o dia 12/01. Até lá!
Sem comentários »TOP 10 SINAIS 2008
Bem, o mínimo que se pode dizer é que foi um ano movimentado, feito de clímax e anticlímax. Com a quantidade de boas notícias econômicas e sociais espocando ao longo do primeiro semestre, o céu ameaçador deste final de ano é mesmo uma mega-onda havaiana de água gelada – nada, de fato, que faça pensar em uma marolinha tépida e inofensiva. Nesse clima, vamos ao nosso já tradicional TOP 10 de sinais relevantes, edição 2008:
1. CRISE. Evidentemente, é a palavra da hora – e por muitos meses ainda o será. Nada, nenhum sinal compete, este ano, em magnitude e abrangência, com a crise financeiro-econômica que se abateu sobre o mundo a partir de setembro de 2008. Desdobramentos à vista.
2. O território da SUSTENTABILIDADE tornou-se mainstream, incorporou-se – ao menos, no nível dos discursos – nas preocupações de todo mundo. Empresas e marcas líderes já puxam essa fila. Com certeza, a crise (de novo) só vai fazer com que se expanda ainda mais.
3. Um sinal e seu flop: a SUPERMÁQUINA, o grande colisor de hádrions, a chave do mistério do big bang, que praticamente não conseguiu funcionar e já entrou em período de manutenção, que vai levar meses.
4. A maioria da população brasileira é oficialmente CLASSE C. De quebra, o IBGE informou que a taxa de natalidade já caiu abaixo de 2,0, fazendo o instituto rever e antecipar estimativas sobre estagnação do crescimento e envelhecimento da população. O Brasil, definitivamente, mudou.
5. Na política internacional, o fenômeno OBAMA, convenhamos, é muito propício à imagem combalida dos EUA. Agora, com o perdão do trocadilho, por que tanto oba-oba? Nada mais natural do que um presidente negro nessa altura da história. Naom Chomsky anda dizendo por aí que Lula e Evo Morales, eles sim, representaram alguma coisa de importante em termos de mudança. De todo modo, é incrível como o mundo se rendeu ao Obama, contra o bode expiatório Bush, so convenient… Na terrinha, muita gente que jamais vestiria “um Lula” achou chiquérrimo ir com a camiseta do Obama ao desfile de moda. Yes, we can cair de novo na história das boas intenções do Tio Sam. Palmas para o contra-ataque da supremacia norte-americana, agora em versão “gente como a gente” e com arsenal de soft power renovado.
6. Na abertura da Olimpíada de Pequim, a China demonstrou o que pode fazer em termos de uma BELEZA TOTAL. Sem espaço para o improviso e o erro, o belo totalitário é produção coletiva para ser vista em alta resolução, para encher os olhos e extasiar. De certo modo, esse momento apologético chinês abriu e antecipou a discussão sobre o pós-capitalismo que a crise de setembro (de novo número 2) só veio reforçar. Muitas implicações estéticas nesse pacote.
7. Nessa brochada de fim de ano, tem que incluir um outro flop: o VAZIO da Bienal de São Paulo, cuja maior e mais profunda discussão se concentrou em torno… da pichação do prédio. Aliás, o vexame da Bienal e o roubo do Masp criaram uma situação paradoxal, feita de um mercado de arte em expansão e da simultânea falência das principais instituições das artes (paulistas, ao menos). E não queremos ser chatos, mas com a crise (de novo número 3), o que será feito do “boom do mercado da arte contemporânea”, do leilão do Damien Hirst na Christie’s, do aquecimento das vendas nas galerias etc.?
8. A CIVILIZAÇÃO URBANA produz boas notícias de onde menos se esperava: da América Latina. Metrópoles como Bogotá, Rio e São Paulo assumem a liderança em projetos de resgate de áreas degradadas e revitalização do tecido urbano. O urbanóide se apropria de sua cidade e quer se orgulhar dela – vide o resultado político da lei “Cidade Limpa” em São Paulo.
9. O Google lança o FLU TRENDS e dá um passo além na utilização da tecnologia e das tendências como instrumento de previsão.
10. Dois momentos fortes da atuação do Observatório de Sinais em 2008, o lançamento do conceito NÃO-CONTEMPORÂNEO, dentro do pacote de tendências 2009-2010, e o trabalho sobre a FAMÍLIA DO FUTURO. Ano que vem tem mais.
Sem comentários »Sobre a economia das velocidades
A revista L’Officiel deste mês (dezembro, nas bancas) traz o artigo “Ando devagar porque já tive pressa”, assinado por Dario Caldas, sobre os impactos da cirse econômica no funcionamento das velocidades do mercado. Caldas afirma que o clima econômico e cultural deve levar a um questionamento crescente de estratégias como o fast fashion e um conseqüente aumento do terriório slow. “Para um Brasil que se preparava para viver a “década do consumo” das novas classes médias, que apenas adentravam na ante-sala do turbo-consumismo, vai ser interessante ter a oportunidade de pensar melhor sobre os caminhos a seguir, dentro de um conceito de consumo mais equilibrado”, conclui o sociólogo.
Sem comentários »O “consumautor” e a mídia
A mídia também descobriu as vantagens de trabalhar com o “consumautor” - a Globo, por exemplo, entre diversas ações na mesma direção, está exibindo este mês as versões caseiras, personalizadas pelos telespectadores, de sua canção hit de fim-de-ano. Agora, o jornal alemão Bild, um dos maiores do país, em parceria com a enorme rede de supermercados hard discounter Lidl (também de origem alemã, mas presente em toda a Europa), vai vender esse modelo básico de câmera digital para incentivar o seu leitor comum a produzir e enviar fotos de apelo jornalístico, para publicação no jornal. Um capítulo a mais numa história que põe em jogo auto-expressão, narcisismo e novos sentidos para público e privado.
Sem comentários »The Endless City
Ainda sobre a metrópole, acontece a partir de amanhã em São Paulo a edilção sul-americana do tour de conferências do projeto The Urban Age, que já passou por Nova York, Londres, Berlim, Xangai Mumbai, Cidade do Cabo, Cidade do México. O ciclo se completa aqui. O seminário, de alto nível e com muitos convidados internacionais de respeito, é restrito a convidados, mas o site tem bastante material sobre o tema, além de textos e áuidos das outras conferências previamente realizadas. O recado central, claro, é o da sustentabilidade de tais formas civilizatórias, com ênfase em projetos de intervenção urbana e social - afinal, nada mais cafona e posto de escanteio pelo novo Zeitgeist do que a idéia de que uma cidade bacana é um universo feito de lojas e de gente “moderna” em meio a bares e vitrines.
Sem comentários »