Arquivo de Maio de 2009
Ainda otimistas
Pesquisa da Universidade do Kansas e do Instituto Gallup publicada esta semana confirmou que o brasileiro está entre os povos mais otimistas do mundo (ao lado de irlandeses, dinamarqueses e neozelandeses). Na média, 90% dos entrevistados (mais de 150 mil adultos em 140 países) são otimistas. A pesquisa ODES Consumo em Tempos de Crise apontou resultado semelhante: 89% dos entrevistados concordaram que estamos indo em direção a um futuro melhor. No entanto, a nossa pesquisa também evidenciou que esse otimismo difuso, e próprio da natureza humana, é bastante relativizado diante de um cenário complicado no curto prazo, como as entrevisas em profundidade evidenciaram. O que os resultados da pesquisa Gallup sugerem, por outro lado, é que a idéia de um pessimismo generalizado, de fundo, como traço do Zeitgeist hipermoderno, deve ser tomada com cuidado.
Sem comentários »Sintoma
Deu ontem no jornal: “A categoria ‘melhor capa’ de livro é a mais concorrida do Prêmio Jabuti deste ano, com 138 inscritos até a semana passada” (Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 25/05). O que dizer de um tempo em que a capa dos livros mobiliza mais do que o seu conteúdo?
1 comentário »O automóvel em crise de libido
Por Dario Caldas
A indústria automobilística é a que mais vem sofrendo abalos com a crise, principalmente fora do Brasil. Mas há mais do que queda nas vendas, concordata e parceria de grandes marcas. O automóvel , que é todo um pacote de estilo de vida, está sob forte revisão. Veja-se o caso da cidade alemã Vauban, a primeira a praticamente abolir o automóvel. Entre os jovens, o carro perdeu bastante espaço como objeto inconteste de desejo, só não admite quem nao quer ou não pode. Afinal, há tanta coisa mais interessante para fazer do que ficar parado no trânsito… O Valor discutiu o assunto na edição do último final de semana, mas os argumentos da indústria para se preparar para o consumidor da Geração Y (ou C, ou Digital, ou “Millenials”, ou o próximo nome que quiserem inventar para definir sempre a mesma coisa: a geração daqueles que já nasceram sob os influxos das tecnologias de comunicação e informação), esses argumentos são no mínimo risíveis, como a idéia de que um dia, na megacidade totalmente sob controle, os carros andarão todos à mesma velocidade e a distância controlada uns dos outros! Tenho para mim que nem na Noruega isso daria certo, e olha que lá só tem 4 milhões de mortais educadíssimos. De qualquer modo, se assim for, aí é que ninguém mais vai querer carro mesmo, não é? E vem montadora chinesa por aqui, e dá-lhe renovação da frota americana com as novas exigências de Obama… A indústria é dinâmica, o mercado a explorar nos emergentes ainda imenso, mas no fundo, a crise do carro é de libido mesmo - e para essa vai precisar mais do que incentivar o consumo ou “transcriá-lo” em chave verde.
1 comentário »Mais sobre “Consumo e Crise”…
…desta vez a pesquisa do Observatório de Sinais está em destaque na matéria “Brasileiros reavaliam conceitos sobre consumo”, no portal Mundo do Marketing, em reportagem de Sylvia de Sá.
Sem comentários »Da economia da gravata ou do risco da importação de tendências “óbvias”
Falamos de identidade masculina alguns posts abaixo, assunto que de certo modo aflora na matéria publicada pela revista Exame nas bancas (no portal, só para assinantes). O jornalista André Faust analisa porque a gravata apresenta consumo em alta no Brasil, ao mesmo tempo em que está em queda nos países desenvolvidos, há anos. A abordagem passa por argumentos como o da “demanda reprimida” existente no país e que faz, como analisa o sociólogo Dario Caldas no artigo, com que haja “um novo público consumidor do produto para o qual a gravata continua sendo símbolo de respeitabilidade e de reconhecimento”. O assunto em si é um bom exemplo de como tendências aparentemente globais não podem ser tomadas como óbvias entre nós, tema caro ao Observatório de Sinais. Ainda mais agora, momento em que ritmos completamente diversos de consumo surgem na economia global, dependendo do país e do produto. Ou seja, nenhuma transposição ou “importação” automática de tendência pode ter lugar, sem um criterioso exame do que de fato está acontecendo no mercado e no comportamento de consumo do brasileiro.
Sem comentários »Na mira dos fumantes
Nesses tempos cada vez mais difíceis para os fumantes, com a proibição de fumar em quase todos os lugares instituída agora também em São Paulo (que segue a tendência mundial), foi lançado nos EUA um produtinho novo, no mínimo divertido, em rápida difusão pela Internet e YouTube: o Blu Electronic Cigarettes - e-cigs ou blucigs, para os íntimos. O produto parece um cigarro e proporciona o mesmo tipo de experiência, mas com muito menos riscos à saúde, já que é feito com uma mistura de água, nicotina, propileno glicose, um cheiro que lembra tabaco e outros aromas exclusivos da marca. A grande vantagem é que dá para fumar em qualquer lugar, do cinema ao hospital, sem produzir fumaça (produz só vapor d’água), cinzas, bitucas, cheiro ou qualquer outro efeito desagradável do cigarro de verdade. E aí, será que pega?
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