ODESBLOG

Arquivo de Abril de 2010

Gôndola

O varejo é um dos territórios mais quentes da atualidade, e não estamos falando apenas do aquecimento do consumo e do movimento das empresas do setor no Brasil: é nas lojas que se realiza concretamente o grande teatro do consumo, onde o consumidor tem a experiência concreta e o contato com as marcas. Dentro do varejo, o segmento de supermercados é um dos mais estratégicos para monitorar as mudanças nos comportamento de consumo. É sobre esse assunto, enfocando especificamente os Novos Velhos, que o sociólogo Dario Caldas falou à revista SuperHiper, da ABRAS - Associação Brasileira de Supermercados, na reportagem de Roberto Carlessi.

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Editorial: A Rede Globo não pode ‘mais’

O que pode e o que não pode? Quem pode falar e o que pode ou não ser dito? Há um clima nefasto de patrulhamento no ar, e pior, um patrulhamento de todos sobre todos, que acaba resultando em lastimáveis episódios de explicações, autocensuras, recuos – passos quase imperceptíveis, subliminares até, para a aceitação de limites à livre expressão. Parece que a ordem é pensar bem no que vai ser dito, pensar duas vezes, filtrar as frases e o sentido. Enfim, construir um discurso oco, sem ‘intenção’. Algo como uma receita de bolo. Soa familiar?

Os fatos vêm se acumulando nos últimos meses e falam por si, mas vamos nos ater aos últimos dias. Primeiro, uma fala da candidata à Presidência da República pelo PT causou espécie porque teria feito alusão à ‘fuga da raia’ de exilados políticos brasileiros. Resultado: chiadeira generalizada, muita lenha na fogueira de todos os lados por parte da mídia (que nessa hora não poupa esforços), explicações… Esta semana, de novo, toda uma celeuma em torno do comercial de 45 anos da Rede Globo, baseado no conceito de ir além, de fazer mais (“Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais!” etc.). Veredicto do Júri do Pode-Não-Pode: não pode, porque lembra ‘o Brasil pode mais’ de José Serra. Resultado: recuo da Globo e retirada do comercial do ar!

E a partir de agora, todo cuidado é pouco: ninguém pode dizer ‘mais’, isso denotaria apoio irrestrito ao candidato José Serra. Já as mensagens que contiverem a palavra ‘continuidade’ estarão obviamente sugerindo um acordo com o PT. Por outro lado, o uso de tons de verde, nem que seja por uma samambaia, é PV na certa. Ironias à parte, o perigo reside precisamente nos recuos. No caso da Globo, por que retroceder, se não houve propositalidade na ação? Se houve, ao contrário, recuar faz todo o sentido e permite concluir que estão todos brincando de apontar o dedo para todos, e assim talvez obter algo em troca. As exigências de explicação por parte daqueles que se sentem atingidos podem parecer saudáveis, mais um exercício democrático, mas até que ponto não estão travestidas de censura implícita? Ora, os que se sentem prejudicados têm a justiça para defendê-los. Isso, sim, é democracia. Mas usar a palavra e o poder da comunicação como moeda de troca é fortalecer os argumentos do governo pela fiscalização da mídia, no momento mesmo em que a comunicação se universaliza e se potencializa como sendo de todos para todos.

O que defendemos e defenderemos sempre é que cada um tem e sempre deverá ter o direito sagrado à livre expressão. Democracias não sobrevivem com limitações à liberdade ou flertes com o autoritarismo de qualquer espécie. Por que a mídia deve permanecer isenta, se é muito mais saudável para a democracia que todos se posicionem claramente? Ou será que só o Presidente da República, que afinal de contas não é uma “pessoa comum”, pode se posicionar em favor de sua candidata, em pleno exercício do cargo, e dizer o que pensa, como nas incabíveis e reiteradas críticas que tem feito à Justiça e aos meios de comunicação? Então, só Lula pode ‘mais’?

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Ainda os e-books: impacto nos didáticos

No mesmo assunto do post anterior, a FolhaOnline reporta pesquisa recém-publicada nos EUA sobre o impacto dos livros digitais no mercado de didáticos. A pesquisa, realizada pela empresa Xplana, afirma que em cinco anos um em cada cinco livros didáticos será digital, graças à disseminação de tablets, e-readers e à queda do preço dessas novas tecnologias e dos conteúdos, além do aumento do interesse da própria aprendizagem por meio de aparelhos digitais. Se confirmada, será um crescimento espetacular, já que o segmento hoje representa apenas 0,5% do mercado americano. Mas, atenção: a pesquisa refere-se aos níveis superior e profissional de educação, a empresa que pesquisou tem todo interesse nos resultados mais do que otimistas (embora factíveis), e o Brasil… bem, o Brasil não é os EUA.

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Os livros não serão mais os mesmos

A versão de “Alice no País das Maravilhas” para o ipad da Apple está sendo lançada como uma espécie de marco inicial para o novo paradigma em livros. Ouvimos o comentário do Pedro Dória no Radioblog e fomos conhecer pelo Youtube. E não é impressionante mesmo? Veja por si. Não é à toa que os e-books estão sendo apontados como uma das novas tecnologias de mais rápida difusão nos próximos cinco anos, com fortes implicações para a educação.

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I wore black, you were black

Malcom McLaren morreu hoje e deixa um legado importante, principalmente para a música. Com sua mulher (na época), a estilista Vivienne Westwood, foi um dos artífices do punk na Inglaterra e de seu boom mundial com os Sex Pistols. Sempre inovador, criou em 1992 um dos álbuns mais “cool, ever”, Paris, com as participações de Catherine Deneuve, Françoise Hardy e Amina e duas canções inesquecíveis: Paris e Paris is Jazz, trilha sonora de um momento…

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Por que não te calas?

Por falar em “rainforest”: que o James Cameron tenha vindo ao país participar de congresso sobre Amazônia e sustentabilidade, ok - são os efeitos pós-Avatar, ele trabalhou para isso, e tem gente que acredita mesmo em duende. Mas quem é ele para dizer que o Brasil deve ou não construir hidrelétricas?
Observação: Independentemente do projeto ser bom ou não, nosso ponto não é esse!

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A saga do açaí

kiehls acai

A saga do açaí como fruta trendy global continua. Depois da matéria no New York Times sobre a “super fruta global”, mostrando a rota completa do açaí, da produção na Amazônia ao comércio nova-iorquino, agora é a trend-tank colette que anuncia o Açaí Toning Mist à base da fruta, resultado da parceria da marca Kiehl com a Rainforest Alliance e mais uns bacanas que fizeram os rótulos da edição limitada (tipo Jeff Koons). O pretexto é o Dia da Terra (22 de abril).

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Plano de saúde

Autoavaliacao do estado de saude / Pnad 2008 / Fonte: UOL

Saúde em debate, nos EUA e aqui. O suplemento de saúde do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio) veio com dados ricos para entender a relação do brasileiro com essa esfera primordial da hipermodernidade, em que a medicalização da sociedade e a hipertrofia do corpo são tendências. Agora é interpretar os dados: por exemplo, os homens avaliam a sua saúde mais positivamente do que as mulheres, não porque sejam mais saudáveis, mas porque escondem e negam mais seus próprios problemas, “macheza oblige”

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