Análise Comportamental de Anamara (Maroca)
Antes de iniciarmos qualquer análise, devemos lembrar a realidade.
Parece haver uma longa distância entre as teorias biológicas do instinto e as teorias filosóficas da realidade. Mas Roger Money-Kyrle acredita que seja principalmente o instinto que crie o nosso primeiro mundo, que sobrevive no inconsciente e a partir do qual se desenvolve o mundo de senso comum, sob a influência de poucos meses de experiência. Esse mundo de senso comum é tão familiar que pensamos nele como se existisse desde que nascemos. Pensamos que irá existir independente de nossos pensamentos e sentimentos, muito depois que o tivermos deixado.
Mas podemos pensar nele também em termos de filosofia subjetivista como um arranjo coordenado de sensações, incluindo sentimentos e suas memórias, isto é, como algo construído por nós mesmos… Podemos certamente nos movimentar sobre ele em pensamento, vendo-o a partir de qualquer ponto que escolhemos dentro de seu enquadramento de tempo e espaço…
É verdade que, ao procurarmos saber o que pode ser previsto ou controlado, descobrimos que é algo que não vai além de uma experiência sensorial futura, que é objetiva apenas na acepção de não estar sendo experimentada no momento. Também é verdade que a mudança que ocorre ao se parar de pensar que a realidade é o mundo de senso comum e passar a se pensar neste como modelo de realidade é apenas uma mudança de um modelo de 1ª ordem para um modelo de 2ª ordem… Mas o fato de fazermos a mudança tem raízes na experiência real. Se nossos desejos e expectativas fossem automaticamente satisfeitos, pensa o autor que nunca faríamos essa mudança.
E é exatamente onde entra Maroca, que procura e vive a realidade BBB sem pretensões pessoais para serem expostas à mídia. Ela quer apenas ser feliz. Diz o que pensa, e às vezes até o que não devia. Não se envergonha de sexo. Revela suas amarguras com tanta dignidade que confessamos por vezes sentir inveja.
Não é dissimulada, mas soube dignamente suportar ser o bode expiatório para os verdadeiros trapaceiros do jogo, como Michel, Dicesar e Serginho. Nem ao menos sofreu por seu isolamento provocado, muitas vezes humilhada por seus parceiros.
Sabe se impor, não teme autoridade, principalmente porque aprendeu a respeitá-las, mas ai do homem que invadir o seu limite… Sem falar de seu olhar sensível à dor do outro - mesmo que esse outro a tenha apunhalado.
Apesar de muito bonita, foi procurar uma profissão masculinizada para sustentar sua família, sem perder sua sensualidade um instante. Mas Maroca não é uma Xuxa, Madonna, nem Karina Bacchi, que depois de anos se aproveitando de seus corpos e “talentos”, lamentam copiosamente seus arrependimentos.
No BBB, a Globo sempre foi paternalista, esquecendo que justiça não é bondade, nem caridade, dando o prêmio para duas mulheres pobres, carentes e desesperadas. Mas com Maroca, nós sabemos: nem Jesus aparecerá para ela mostrando a estrada de Itu, onde está a terra prometida. É uma pena, mas ela não interessa nem ao programa, nem ao perfil pré-estabelecido pelas corporações para representar seus interesses comerciais. Gostaríamos de ver e saber aqueles olhos marejados, quando se sente só e incompreendida, tomando champanhe e comendo caviar, com a “cara da riqueza”, em Paris. Isso, sim, seria digno de Manoel Carlos.
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