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Arquivo da categoria ‘Filtragem’

Brazil takes off

economist brasil - economist brasil

A ascensão brasileira deu capa na Economist desta semana, “Brazil takes off”. A melhor revista de análise político-econômica do mundo faz um dossiê bastante completo, aponta pontos fortes e fracos, insiste na previsão de sermos a quinta economia do mundo já em 2015 (ultrapassando França e Inglaterra) - com um grande “se” para “se as tendências atuais se mantiverem” -, ressalta os avanços da combinação entre as eras FHC e Lula, e alerta, com perspicácia, para o que chama de o maior perigo de as coisas não darem certo: a arrogância. Pois é, gente, devagar com o andor, porque - acrescentamos nós - a arrogância precede a ruína…

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Antropo-lógicas

Claude Lévi-Strauss| Foto: Pascal Pagani, AFP

Ter sempre em mente, ao explorar as tendências como narrativas, que a eficácia do feiticeiro depende da crença na magia, e isso envolve a crença do próprio feiticeiro em suas ações, a do enfeitiçado e a da opinião pública, espécie de “campo de gravitação” que os envolve. E de que “nada se assemelha mais ao pensamento mítico do que a ideologia política”, princípio muito útil para aplicar à desconstrução do mito “Brasil potência”, atualmente em plena reedição. De Lévi-Strauss, tantas páginas de deleite, tanta coisa aprendidas e tantas por aprender.

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Porque The Mentalist será “the next big thing”

Simon Baker é The Mentalist | divulgaçãoO Hierofante no tarô

E estreou também a segunda temporada de The Mentalist (Warner, segundas, 22h), produzida pela rede CBS. Patrick Jane (Simon Baker), o detetive que “simplesmente sabe”, encarna o arquétipo do Hierofante, aquele que cura a dor do outro na impossibilidade de curar a sua própria, vivida como a maior de todas. Por esse prisma, ele se aproxima de dois congêneres consagrados, Dr. House e Adrian Monk, mas se diferencia deles ao não apresentar marcas exteriores de sofrimento (como a perna de House ou o comportamento obsessivo de Monk). Ao contrário, Jane é loiro, de cabelos cacheados, olhos azuis, elegante e sorridente – enfim, irresistível. A identificação inconsciente dos fãs vai se dar exatamente por essa intersecção do arquétipo com a sedução, inovando dentro de um perfil comportamental já consolidado junto à audiência. Sucesso garantido, e em escala global.

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Temporada de estreias

Estrearam nos últimos dias novas temporadas de séries de sucesso na TV paga brasileira. House, a mais vista no mundo, voltou com episódio-filme de duas horas e, ontem, dando show com episódio híbrido entre filme e game. Prova de que as grandes redes abertas americanas, produtoras das principais séries, continuam investindo pesadamente em produções que depois serão vendidas ao mundo inteiro, apesar da crise da queda de audiência e de publicidade. Por ourto lado, no Brasil, a TV paga vive um momento particular: a audiência cresce, mas as críticas se avolumam e a regulação do setor está em ebulição, com a entrada das teles e os grupos internacionais de olho no mercado brasileiro.

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Quando os fenômenos se encontram

Roberto Nemanis | SBT

Ronaldo esteve no programa Sílvio Santos e o noticiário sobre TV já reporta que a dupla fez enorme sucesso. Não é difícil explicar: além de se tratar de dois craques, o encontro foi pontuado pelo espontâneo e pela autenticidade, sem a marcação super-estudada de outras aparições do jogador. Tudo muito divertido e leve, com uma Lívia Andrade (hein?) super-excitada, mas igualmente à vontade para dizer o que lhe desse na veneta, contra o fundo cult-kitsch dos aviõezinhos de dinheiro e da mis-en-scène de “tio” Silvio, que soube aproveitar o carisma que o Fenômeno emana com sua simples presença.

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Inventário

A morte icônica resulta sempre em um inventário que quantifica, esquadrinha, divide e investiga todos os recônditos do ídolo, para melhor representá-lo. É preciso expropriá-lo para que possamos nos apropriar dele, de novo e de novo. Primeiro, uma profusão de imagens e vídeos, território por excelência do Primogênito da Era das Mídias e do Império das Imagens. Depois, a ênfase nos objetos icônicos, as partes: a luva, o moon walk, a efígie em que ele pouco a pouco se transforma. Em seguida, vieram os números, as linhas do tempo interativas, os gráficos de sucessos, as cifras, os ganhos, as perdas, as dívidas, e agora as métricas e porcentagens do aumento de excuções dos hits nas rádios. O inventário de um ícone é um show de representação.

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Sintoma

Deu ontem no jornal: “A categoria ‘melhor capa’ de livro é a mais concorrida do Prêmio Jabuti deste ano, com 138 inscritos até a semana passada” (Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 25/05). O que dizer de um tempo em que a capa dos livros mobiliza mais do que o seu conteúdo?

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Da economia da gravata ou do risco da importação de tendências “óbvias”

Falamos de identidade masculina alguns posts abaixo, assunto que de certo modo aflora na matéria publicada pela revista Exame nas bancas (no portal, só para assinantes). O jornalista André Faust analisa porque a gravata apresenta consumo em alta no Brasil, ao mesmo tempo em que está em queda nos países desenvolvidos, há anos. A abordagem passa por argumentos como o da “demanda reprimida” existente no país e que faz, como analisa o sociólogo Dario Caldas no artigo, com que haja “um novo público consumidor do produto para o qual a gravata continua sendo símbolo de respeitabilidade e de reconhecimento”. O assunto em si é um bom exemplo de como tendências aparentemente globais não podem ser tomadas como óbvias entre nós, tema caro ao Observatório de Sinais. Ainda mais agora, momento em que ritmos completamente diversos de consumo surgem na economia global, dependendo do país e do produto. Ou seja, nenhuma transposição ou “importação” automática de tendência pode ter lugar, sem um criterioso exame do que de fato está acontecendo no mercado e no comportamento de consumo do brasileiro.

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Freezer

O IHT relata os problemas dos restaurantes de Nova York, com a crise: “Chefs, proprietários e empregados dizem não se lembrar de um período em que tantos restaurantes tivessem fechado, em que tantos empregados estivessem procurando emprego e em que tão poucos lugares estivessem abrindo. De acordo com o Departamento de Trabalho do estado de Nova York, depois de criar 50 mil empregos no mínimo, em sete anos, o negócio dos restaurantes de Nova York fechou 10 mil postos de trabalho entre outubro de 2008 e janeiro de 2009″. Uau. Entre nós, o setor também sofre, o jantar fora sendo apontado com frequência como corte potencial de despesas pelo indivíduo comum. Os restaurantes mais caros de São Paulo perderam suas filas de espera. Já nos restaurantes “médios” de bairros como Moema, no sábado à noite, as filas resistem.

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Séries e BraZil

True Blood, o drink

Das novas séries lançadas no Brasil em 2009, o grande barato continua sendo mesmo True Blood (HBO), um novo mix de vampiros com sexo e suspense, criado por Alan Ball, o mesmo de “A Sete Palmos” (Six Feet Under). E por falar em séries norte-americanas, as citações ao Brasil têm sido bastante frequentes. A diferença é que elas têm sido positivas, escapando dos clichês criminalidade, prostituição e exotismo. Afago à crescente audiência brasileira? Nova etapa da política da boa vizinhança na era Obama/Hillary? Passamos, finalmente a existir? Bom, o fato é que eles tentam, mas continuam ignorantes: por exemplo, em um episódio recente da segunda temporada de Dirty Sexy Money (AXN), uma personagem foi morar em São Paulo, que aparece como uma pacata vilazinha a beira-mar - só acertaram mesmo na cor do táxi branco. É rir para não chorar.

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